rdb_longwaytoalaska_header

Long Way To Alaska

O frio pode ser quente.

Na internet é possível encontrar (quase) tudo. Incluindo uma mensagem de um tal de Urso Polar a dizer que “parece que foi ontem que estava aqui o Urso Polar a dizer o quanto a ‘Laugh, Light and Love’ era bonita e agora os Long Way To Alaska já são o orgulho indie bracarense”. Long Way To Alaska, o caminho mais fácil e simples para se chegar à perfeição. O Alaska como poucos conhecemos.

Do Alaska sabemos poucas coisas (e conhecemos muitas menos). Sabemos que há muita neve (o óbvio!), que é um dos estados dos Estados Unidos que formam a América unida, que, em tempos, teve alguém que conseguia ver, da janela de sua casa, a Rússia de Vladimir Putin (a mesma que é, hoje, a vedeta maior das Tea Parties nos Estados Unidos, Sarah Palin). Sabemos que para chegar ao Alaska um dia não basta, que o Alaska é um local inóspito que não agrada a fãs de sol e praia, que o bacalhau (e outros peixes mais) deve(m) “abundar” por aquelas paragens. Um “long way” para chegar “to Alaska”. Mas eles não se importam com esse longo caminho, nem que seja “para ir buscar bacalhau”. Ou alguma fama.

Long Way to Alaska. “É sempre a questão complicada. Há muita gente que começa por dizer que ‘ah, mas de certeza que o nome tem a ver com o filme Into The Wild [2007, dirigido por Sean Penn]. Não tem directamente a ver”, destaca Nuno Abreu, um dos quatro elementos do grupo. “Obviamente que há um longo caminho no filme, mas quando surgiu (o nome) não foi a pensar nesse filme”, continua.

Long Way to Alaska “transparece uma paisagem, um caminho, uma evolução por que vamos passando”. Uma música de imagens, uma imagem feita com sons suaves, vozes melódicas, sem recurso a qualquer agressividade sonora e com ajuda de sons da natureza, como o insistente som dos pássaros (conferir em “Oh Bird!”, um dos quatro temas do EP de estreia lançado no final de 2009). “Usamos guitarras, baixo , percussão e uns pássaros no disco… (risos)”, sintetiza Nuno Abreu. “Mas temos tendência a procurar sons alternativos, diferentes, outros instrumentos”, acrescenta Gil Oliveira, outro dos elementos do grupo.

O ano deles

Mas música deste género não pode nascer do acaso. Não nasce nas árvores ou como cogumelos. Não chega em bicos de pássaros (e há muito que deixamos de comer a história da cegonha e dos bebés de Paris!). “Nós temos caminhos muito diferentes. No meu caso, estudei guitarra clássica, mas comecei a ouvir outro tipo de música através do meu irmão”, revela Gil Oliveira, um dos elementos dos Long Way To Alaska. “Comecei por onde toda a gente começa, pelo ‘grunge’, pelo Pearl Jam e coisas assim. Como tocava guitarra comecei a ‘sacar de ouvido’ e fui adquirindo o gosto pela música a partir daí”. Já Nuno Abreu começou pelo canto e guitarra clássica, Gonçalo Peixoto optou pelo baixo. Influenciado por amigos, Lucas Carneiro decidiu criar uma banda, “já que não tínhamos nada para fazer” e foi depois ter aulas de guitarra. Uma formação que deu bons frutos. 2009 foi o ano deles, de Gil Oliveira, de Lucas Carneiro, de Gonçalo Peixoto e de Nuno Abreu. Foi o ano de uma primeira audição de uma música sem medo de ser calma, foi o ano em que descobrimos que Braga é muito mais que a cidade do rock e do metal. E que (felizmente) há algo novo a acontecer. “Sinto, ainda hoje, alguma revolta relativamente àquilo que ainda falta fazer (em Braga). Há muita ‘miudagem’ a fazer mais do mesmo, não se sai daquela onda do rock, dos Soundgarden, dos Alice in Chains. São poucos os projectos maduros e que têm, realmente, um som inovador”, sentencia Gil Oliveira. Mas há excepções, honrosas, entregues a “peixe:avião e Smix Smox Smux que vieram mostrar que a cidade de Braga ainda tem vida”.

Álbum novo

Fernando Alvim, o radialista, o director de revista e festival, já os elogiou. Por causa disso, ou talvez não, estiveram na final do Festival Termómetro deste ano. Mas não ganharam. “Estávamos muito stressados. Disseram-nos: ‘têm 10 minutos, tocam uma música’ e tínhamos 50 câmaras de filmar apontadas para nós. Houve uma grande tensão, não estávamos a conseguir tocar as coisas”. Poderá ter sido essa a razão que os levou a não ganhar o Termómetro, mas a uma jovem banda com menos de um ano e cuja média de idades dos elementos da banda ronda os 20 anos, tudo se perdoa (pelo menos enquanto não sair o novo e primeiro disco longa-duração).

O EP de estreia saiu em Dezembro último, numa edição da Lovers & Lollypops, jovem promotora do Porto, e foi apresentado em concerto no Museu D. Diogo de Sousa, em Braga. Seguiu-se a primeira parte a Scoutt Niblet no Passos Manuel, no Porto, Vale de Cambra, Maia. Próxima paragem: “Clubbing” da Casa da Música, no Porto, a 27 de Fevereiro, partilhando a sala com os Tropa Macaca e na mesma noite que Steve Aoki. “É uma excelente oportunidade de dar a conhecer a nossa música a um público ainda mais alargado”. Os quatros temas do EP e novos temas em carteira. Que integrarão um álbum de originais, a sair mais para o final deste ano. “Lá para Setembro, estamos a pensar entrar em estúdio em  Abril. Já temos algumas coisas, mas nada que dê para fazer um álbum”, revela Nuno Abreu.

Para 2010, “muitos concertos, tocar em cidades importantes, gravar o novo álbum e ver onde podemos chegar”. Não sabemos ler o futuro, nem deitar cartas ou ler os astros, mas sabemos uma coisa: 2010 será (ainda mais) o ano deles! Os pássaros que se cuidem, ainda vão ter muito que piar nas canções dos Long Way to Alaska…



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This