Memórias de uma Geisha

A tradição japonesa num cinema perto de si.

O Japão é terra de sentimentos e atitudes extremistas enfatizadas, possivelmente, pela frequência na ocorrência de terramotos. É igualmente terra de paixões e regras tradicionais. De, respectivamente, dedicação e severidade materializados, entre outras coisas, na cultura das Gueixas.

As Gueixas são das suas tradições mais únicas. ‘Gei’, em japonês, significa performance ou entertainer. ‘Sha’ pessoa. As meninas são ensinadas desde pequeninas na arte de conversação, a tocar a guitarra japonesa Shamisen e na cerimónia do chá japonesa. É-lhes ensinada, por uma Geisha mestre, a arte do gesto e olhar feminino. Os mais antigos atributos da mulher são explorados e, por elas, realçados.

Mas esta tradição, fora e mesmo dentro, do seu habitat natural é bastante polémica. Há quem as compare com prostitutas pois elas são forçadas a aceitar homens que não amam, tendo por critério a quantia monetária que oferecem. Essa é uma das perspectivas desenvolvidas por Rob Marshall nas “Memórias de uma Geisha”. Vale a pena reflectir sobre o assunto pois há uma sociedade que vive e venera esta realidade incondicionalmente.

O Japão é terra de um sentimento de isolamento, próprio de uma ilha. A sua sociedade foi desenvolvendo, ao longo dos tempos, uma forma de estar muito especial, na qual as gueixas se enquadram. Para as compreender deveremos colocá-las no devido contexto. Grande parte dos membros da sociedade japonesa defendem que as “Memórias de uma Geisha” não fazem justiça à sua tradição centenária, denunciando exageradamente a sua componente de exploração infantil e sexual; a história começa com a venda de duas meninas à sua futura dona, como se de escravas se tratasse e a virgindade delas está dependente de uma quantia monetária.

O facto é que a história fala, por um lado, da exploração, dos maus tratos e da degradação da actividade, mas por outro conta uma história linda, romântica e representativa de uma devoção sem igual. A mulher é desenhada com lápis de platina. Enaltecem-se as qualidades que tornam a mulher uma obra-prima da natureza.

A qualidade da imagem, os conteúdos exóticos, os enquadramentos de sensibilidade exímia, a dedicação e encaixe dos actores e actrizes, a beleza da arte de ser uma Geisha convenceram-me a aconselhar este filme, apresentado pela Columbia Pictures, Dreamworks Pictures e Spyglass Entertainement, produzido pela Amblin Entertainement, Douglas Wick e Lucy Fisher e realizado por Rob Marshall.

Não posso deixar de referir no entanto que, apesar de ter gostado do filme, não concordo com a desfiguração de certos aspectos geishistas, como por exemplo, o desenvolvimento, de propósito para o filme, de uma versão do quimono mais sexy. Não havia necessidade…



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