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“Mid Air” | Paul Buchanan

O primeiro registo a solo do vocalista dos Blue Nile

Apesar de terem criado um dos álbuns mais bonitos da história da pop, “Hats” de 1989, os Blue Nile nunca foram particularmente famosos, antes um tesouro bem guardado por uns happy few, aqueles que se apaixonaram pela música arrastada e triste dos escoceses (música de noctívagos e insones; ideal para se ouvir de madrugada, quando o resto da gente dorme). O facto de ser pouco prolífica (quatro álbuns entre 1984 e 2004), muito ciosa do seu som, não terá ajudado ao sucesso da banda.

Agora, oito anos depois de “High”, último álbum dos Blue Nile, surge o primeiro disco de Paul Buchanan a solo. Pouco mudou. Nada mudou, apetece escrever. No fundo, Buchanan (vocalista e compositor da banda) era os Blue Nile. “Mid Air” é talvez um pouco mais despido (só voz e piano, uma orquestração de sintetizador aqui e ali, a acrescentar a pungência necessária, muito subtil) do que os discos dos Blue Nile, mas mantém, para além da austeridade sonora (não há uma nota a mais), as letras precisas, parcas em palavras (a lembrar Raymond Carver), usando o símbolo para evocar o sentimento (a lembrar Edward Hopper: uma pintura com paletas de temas e cores muito reduzidas), cantadas no falsetto vulnerabilíssimo de Buchanan.

“Mid Air” é a meia-idade de Paul Buchanan (que sempre pareceu mais velho), a perda que aconteceu e a que há-de vir. Soa a morte (a própria, a daqueles que se ama), uma mágoa que dói no ouvinte, até no mais novo. Mas nunca entra em desespero. Buchanan tem a suprema arte de criar a tristeza, o sentimento mais bonito e difícil do mundo. Isto, em treze canções que raramente (só uma vez) ultrapassam os dois minutos e tal. “Mid Air” é uma preciosa miniatura pop. Para guardar e zelar.



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