Minta & The Brook Trout @ B.Leza (18.09.2025)
Celebrar "Stretch" entre fãs e amigos
Estamos a pouco mais de meio de Setembro, mas podia ser uma noite de meio de Agosto. Perto das 21h, estão 26° e não bate praticante brisa nenhuma. No B.Leza está agradável, com pouca gente para já, é certo, mas sabemos que estamos no sítio certo.
As canções de Minta & The Brook Trout são canções de meia estação. A escolha entre a Primavera ou o Outono é algo que ficará ao critério de cada um. E é válido dizer o humor ou o estado de espírito pode ter influência directa na decisão. Independentemente disso é importante deixar claro que isto não quer dizer que as canções são tão só “mornas”. Nada disso. Estão perfeitamente equilibradas e afinadas, perfeitas no seu registo único, que dotam Francisca Cortesão e os seus cúmplices de uma identidade única.
«Cantaloupe» tem honras de abertura. Tivesse o som sabor e era uma canção para degustação prazerosa, doce e sublime. Depois de agradecer e apresentar a banda segue-se «Random Information» que nos bombardeia com informação aleatória, mas que nos leva a querer procurar por algo que nos agarre, que tenha significado. «Hope And Fiction» é a descrição de onde e como vivemos nestes dias que nos roubam esperança, mas procurando sempre manter uma chama acesa.
«Chewing Gum» de “Demolition Derby”, transporta-nos para um folk mais clássico. «International Loss Adjusting» mantém-nos na mesma órbita. Canções que envelhecem de forma graciosa, e que continuam a ser um prazer escutar. Depois é a vez de «I Can’t Handle the Summer», canção que integra “Slow”, álbum de 2016, surge acompanhada com um convite para a cantarmos… “Take it slow / Learn to let it go”
«Bagno Elena» tem o beat do teclado a ser executado em palco, mantendo essa premissa dos Minta de serem responsáveis por todos os sons em palco, sem nada pré-gravado. O resultado é sublime. A canção cresce e aconchega. As canções de “Stretch” têm mais investimento. Há múltiplas camadas, todas devidamente trabalhadas e que são um regalo escutar ao vivo.
«Halfway Through», leva-nos novamente a “Demolition Derby”. Por aí continuamos, ao som de “Neighbourhood”, por ventura a canção mais “musculada” da noite, consequência das duas guitarras e do baixo omnipresente de Mariana Ricardo. A dado momento escuta-se o verso “Do you really want to go again” e tendemos a concordar. «Please Make Room For Me Please» leva-nos de volta a “Stretch”, sem Shelley Short a acompanhar porque se encontra quase nos antípodas, mas com uma banda talentosa isso não é problema.
Aproximamo-nos da recta final e Chica confessa entre sorrisos que, com dificuldades, a banda acordou não ir para trás de 2016, no que diz respeito a canções. São muitas canções e esperamos que mais nos sejam dadas a conhecer. «The fake Outdoors» cumpre a “regra” autoimposta.
De regresso a “Stretch” escutamos «Your Closeted Dreams» que nos alimenta os nossos sonhos e ambições que teimamos em recalcar. Já «Born To Be Mild» conta com Afonso Cabral a fazer as vezes de The Weather Station. Exquisite, dizemos nós!
No encore começam com um cover de Walter Benjamin, antigo nome de palco de Luís Nunes, agora mais conhecido por Benjamin que, por acaso também estava presente a assistir
ao concerto; a escolha recaiu sobre a bonita «Airports and Broken Hearts». «Bangles» encerra a noite e damos por nós a pensar que sair feliz de um concerto é das melhores sensações que se pode ter na vida, e infeliz é quem nunca o vivenciou.
There are no comments
Add yoursTem de iniciar a sessão para publicar um comentário.

Artigos Relacionados