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MODALISBOA – CURIOUSER | DIA 1

O coração de Lisboa voltou a acolher a semana da moda. Ao longo dos dias 13, 14 e 15 de Março os designers portugueses e internacionais invadiram as passerelles do Curiouser com as suas propostas para o outono/inverno 2015/16.

Uma edição inspirada pelo clássico Alice in Wonderland está longe de ser dominada pela monotonia. A necessidade constante de criar, explorar e renovar é inerente ao ser humano e a moda não é exceção – «A curiosidade pelo objeto implica a curiosidade do sujeito – o “curiouser”, o criador, o artista», afirma a Presidente da Associação da Moda Lisboa.

O primeiro dia da 44º edição foi inaugurado com as propostas do projeto Sangue Novo, coube a estes 10 jovens talentos portugueses – Inês Duvale, Banda, Cristina Real, Ana Duarte, David Catalán, Patrícia da Costa, Patrick De Pádua, M HKA, Tânia Fonseca e Rúben Damásio – a primazia de abrir esta edição dedicada à imaginação e à criatividade.

A honra de representar Portugal no FashionClash – festival holandês de moda – foi este ano atribuída ao estilista Patrick de Pádua com a sua coleção Promises. Partindo dos conceitos promessas, laços e expectativas o criador conduz a audiência a momentos de dúvida, surpresa e exaltação numa linha marcadamente streetwear e oversized em tons de preto, branco e cinza, rompendo este esquema monocromático com elementos marcados de verde e de laranja. Ao som do hip-hop esta coleção destacou-se pela irreverência das peças e pela forma como o mundo do crime – metamorfoseado pelos gorros de assaltantes usados pelos modelos ao longo da primeira parte do desfile – e as tatuagens alternativas dos próprios manequins se articulavam entre si, a génese da coleção espelhou-se no último deslumbre das peças, com o surgimento de modelos femininos no cerne de uma coleção aparentemente masculina transportando a audiência e o conforto da suas certezas e (pre)conceitos para uma zona de sufoco provocada pela falta de domínio sobre o que acabara de acontecer diante dos seus olhos.

O designer Ricardo Andrez, destacou-se pela positiva num desfile surpreendente humano. A silhueta simples e transversal das figuras que pousam nas montras durante uma vida inteira foram transportadas para a passerelle do estilista, na qual os manequins se desmarcavam completamente de tudo os que pudesse associar a um género socialmente construído através de uma pelicula cor de pele – e por cor de pele leia-se qualquer cor e não aquela em particular que sempre existiu nos kits de pintura definida como tal -, que cobria por completo o cabelo dos modelos. O conceito da sua coleção foi ainda destacado pela atribuição de peças sem qualquer etiqueta de género feminino ou masculino numa paleta de tons escuros e assimetrias, por riscas e transparências completadas com pequenas constelações, metalizados e magníficas luas cheias que arrastavam consigo um inverno suave e o peso de uma sociedade que ainda tem tanto que aprender sobre a humanidade.

Olga Noronha e Catarina Oliveira, foram contempladas com o privilégio de apresentar as suas coleções na majestosa salda do Paços do Concelho.

A criativa Olga Noronha voltou a surpreender a audiência com a coleção FLUXOS: SCV, através de um autêntico corte e costura teatral esta linha atípica e performativa metamorfoseia o processo de descolamento da pele mapeando o complexo sistema de canais condutores dos fluxos sanguíneos. Uma autêntica aula de modelagem, na qual os moldes dos vestidos em tons nude eram recortados pelo picotado deixando a descoberto as criações mínimas e estruturadas em preto e vermelho com aplicações de pequenas pedras preciosas.

Catarina Oliveira baseou-se na dicotomia existente entre a razão e a emoção para criar a sua nova coleção. “Balance” pretende expressar através do equilíbrio e harmonia entre formas oversized e diferentes tonalidades de azul e verde, o conflito interno dos indivíduos e a necessidade constante de se adaptarem e moldarem à sociedade. O que controla realmente as nossas ações? Poderão os nossos institutos sobrepor-se à razão? A sobriedade linear de cada peça afirma que sim e reforça a necessidade de rutura nos padrões impostos socialmente.

O primeiro dia desta edição terminou em preto integral com a genialidade de Dino Alves. Com dress code obrigatório a audiência vestiu-se de preto para a coleção SALVÉ A COR! SALVÉ, assumidamente com acento, trata-se de uma mensagem de esperança que reforça a ideia de que não é a ausência de cor que traduz o papel social de cada um e muito menos o seu estado de espirito. Uma coleção dedicada a todas as mulheres que se escondem atrás do preto dos lenços e xailes que lhes cobrem o rosto (e tantas vezes a alma) a pedido da moral e dos bons costumes. Através de vinil tricotado, visconde, jerseys, linho, algodão e seda o estilista apresenta uma coleção que viaja do preto fúnebre ao marfim, rosa, beringela e amarelo deixando-se complementar por riscas multicoloridas e xadrez funcionando como uma critica aos valores arcaicos que nos dominam e, simultaneamente, uma oração à sofisticação contemporânea de um povo com vontade de vencer.



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