MODALISBOA – THE TIMERS – Filipe Faísca

MODALISBOA – THE TIMERS | DIA 3

Nuno Gama, Filipe Faísca, Kolovrat, Nadir Tati, Pedro Pedro, Piotr Drzal, Aleksandar Protic e Dino Alves foram os The Timers que enceraram mais uma edição da ModaLisboa com as suas propostas para a primavera-verão 2016.

Após um inverno no “Cabo das Tormentas”, o estilista Nuno Gama fez-nos viajar pelos 4 cantos do mundo para desafiarmos o “Mostrengo”. É o regresso do Dandismo e do corte de alfaiataria e porque «manda a vontade que me ata ao leme», o estilista manteve-se fiel ao tema dos descobrimentos e renovou os eternos clássicos através de explosões e misturas de cores inesperadas. Um espetáculo digno de aplausos atribuiu ao casaco o papel central desta coleção, complementado com os laços, os lenços e as gravatas que se destacavam sobre as camisas.

A viagem surge como uma metáfora para a vida na coleção NOW de Filipe Faísca, as diferentes silhuetas que se dividem entre a fluída, o oversized e as sobreposições, em materiais como a seda, o visconde, o cabedal, os plissados e as rendas tornam-se capazes de levantar todas as incertezas. O tempo começa quando a mulher começa, mas chegaremos nós a lugar algum? Ao longo do desfile ouve-se referências à mulher apaixonada e à trabalhadora, àquela que prefere a família e à outra que opta pela carreira, à mulher do hoje e do agora que vagueia sem rumo certo numa luta constante pela afirmação e satisfação pessoal. É para essas mulheres – é para todas as mulheres – que as cores de Filipe Faísca (Branco do meio dia, Preto eclipse, Pó do deserto, Verde tardio, Azul da alvorada, Coral agora), com nomes tão marcantes como as mulheres que as usam, invadem e conquistam os olhares da audiência.

MODALISBOA – THE TIMERS - Filipe Faísca

Kolovrat surge com Invitation for coffee, uma coleção que se destaca pela sobriedade e fluidez das suas formas. Inspirada pelas figuras criadas pelas borras do café as peças vagueiam da escuridão até à luz – como o próprio café a cair para a chávena –, com pequenas mas imponentes explosões de azul. Os turtlenecks surgem como um engodo para costas totalmente despidas. Rasgos de sensualidade e círculos perfeitos combinados com linhas clássicas e sofisticadas saltam à vista naquele que é mais um excelente trabalho da estilista.

MODALISBOA – THE TIMERS - Kolovrat

Nadir Tati foi umas das surpresas desta edição, mantendo-se fiel à tradição e à estética africana, a designer simplificou as silhuetas apresentando uma coleção muito diferente das anteriores. Peças mais fluídas, com bordados e pedras minuciosamente trabalhadas à mão, permitiram a criação de capas e vestidos em vermelho, dourado e preto, dignos das personagens mais poderosas de um conto de fadas.

MODALISBOA – THE TIMERS - Nadir Tati

The Lady In Question é a aposta de Pedro Pedro, uma coleção que remonta aos clássicos em busca de inspiração e assume as imperfeições e acasos consoante o «air du temps». As formas sinuosas e elegantes do criador, com drapeados e acabamentos desfeitos ou em bruto captam toda a feminilidade da mulher que se vê descontraída e informal mas não por isso menos sofisticada. O cetim das camisas de noite luxuosas ganham um novo encanto quando cobertas de redes e rendas abstratas transformando-se em peças confortáveis e elegantes para o dia-a-dia. As cores dispersam-se maioritariamente entre o marinho, o brique, o preto e o branco.

Piotr Drzaldesigner polaco convidado no âmbito da parceria da ModaLisboa com a FashionPhilosophie – Fashion Week Poland – apresentou uma coleção exclusivamente masculina seguindo uma linha simples que uniu o desporto ao movimento através do azul, do castanho, do caqui e do vermelho.

Aleksandar Protic surge com Deusas, uma coleção que prima pela modelagem perfeita das suas peças em algodão, seda, visconde e polyester. A silhueta leve e fluida permitiu realçar os traços femininos através de peças justas e afuniladas criadas através de um contraste entre os modelos drapeados e as formas mais estruturadas numa paleta de branco cru, pérola, oliva, preto.

MODALISBOA – THE TIMERS - Dino Alves

O espaço que viu nascer a ModaLisboa há 24 anos foi este domingo o palco de encerramento desta edição. Coube ao estilista Dino Alves assumir o desafio de terminar esta edição iluminado pelo magnífico lustre do Teatro S. Luiz. O meu processo – Diário de uma coleção foi o tema escolhido pelo estilista que afirma, que não é por uma ideia ter sido rasgada e atirada ao lixo que é uma ideia perdida, mas sim um meio para lá chegar. Mais do que uma coleção estas peças são uma viagem pelo trabalho do criador. Silhuetas irregulares e de contornos pouco definidos, fluidas e simultaneamente estruturadas, com tecidos manipulados, peças feitas com recursos a impressão 3D, assimetrias e volumes irregulares distribuídas entre tons monocromáticos e pequenos detalhes multicores ilustram o processo de criação do estilista numa ode às etapas, à exigência e ao trabalho que qualquer criação exige.

 

Fotografia de Graziela Costa



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