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Noite em… Barcelona

Relato nocturno, pessoal e transmissível, por alguns dos pontos nevrálgicos da cidade catalã: Razz(matazz), Apollo, Club Felini, Moog e Nave 4.

Barcelona tem muita oferta em diversão nocturna e, como não poderia deixar de ser, hoje o difícil acaba por ser conseguir ter um filtro eficaz. Enquanto vizinho desta cidade tentei, no tempo que estou por aqui, conhecer a maioria das casas de referência, bem como as com uma programação mais a meu gosto. O resultado vem influenciado pela noite em si, pelo que não deve ser tomado como – A Verdade Suprema – mas sim como uma avaliação pessoal de uma noite singular.

O Razz(matazz) é o club de referência da cidade. Se não por mais, apenas pelo seu tamanho. Um total de 5 salas com capacidade para mais de 5.000 pessoas oferece aos visitantes ambientes (demasiado) distintos. Se por um lado a variedade de escolha e a possibilidade de haver sempre algo interessante é um plus para a visita, a quantidade de gente e algum antagonismo entre os utentes reflectem um ambiente demasiado mesclado. Torna-se um armazém de gente de todos os estilos, credos, cores e religiões que em diversos momentos, especialmente agora que o calor aperta, se torna literalmente claustrofóbico.

Tive a oportunidade de, no mesmo dia, ver Medhi e SoMe na (sala) Lolita e James Holden e Nathan Fake na pista principal e, não faltando razões para passear de sala em sala, a multidão era tal que grande parte do tempo foi passado o mais perto de portas onde corresse algum ar, visto que na pista principal o som, apesar de alto, não era óptimo. Creio que a melhor definição para o Razz é a de um centro comercial nocturno.

O Apollo, e as suas 3 salas são outra das referências da noite de Barcelona. Só tive oportunidade de visitar uma delas, aquando de um DJ set de Radioslave. Não sei se a música foi a principal causadora de insatisfação, mas…era uma daquelas noites de chegar ao club tarde, já caindo perto das 05.00h e tudo estava alinhavado para uma boa festa.

Um bom inicio de noite, um pequeno passeio até chegar (tudo se faz andando em Barcelona, apesar de, aos sábados, o metro funcionar 24h) e expectativas de um bom set para terminar a noite. Tudo se contrapôs. A casa estava cheia. Um espaço estilo teatro, rectangular com um primeiro andar em varandas (lembrando a já fechada La Paloma, mas sem a mística de ser um Teatro). Um misto de clientela indefinido, não cativando nem afugentado quem estava.

O set esse, dos mais fracos que já presenciei. Uma selecção de House Progressivo, daquele que não vai a lugar nenhum, com alguns desenhos que por vezes soavam a “latino”, ou para agradar a aficionados do estilo. Creio que em cerca de 2 horas o pé bateu em duas musicas e enquanto pedia que aquela música fosse o ponto de inflexão, tudo voltava ao mesmo…

A sala BeCool foi uma agradável surpresa. Fui a convite de um simpático rapaz que trabalha numa das mais conhecidas tiendas de discos da cidade, a CD-Drome. A sala ficava mais longe do centro e isso reflectiu-se no ambiente. As pessoas presentes, estavam ali porque gostavam e conheciam a casa e não simplesmente porque iam a passar, ou porque ficava perto do Hotel. Tem a área de um club médio (200m2) e um 1º andar com pouco menos de metade.

A música era boa, mas começou a minha ideia que as programações por aqui não são muito cuidadas. A abertura foi feita a sons orgânicos, com toques rockeiros e bases electrónicas; mas às 2h da manhã, com a mudança de DJ, voltou um start/stop para um House Progressivo + Minimal musculado que nada tinha a ver com o que passava antes. Não que fosse mau, mas a mudança foi cortante. Foi tempo para visitar a sala que existe no primeiro piso que estava a ser agradavelmente tratada à base de DFA’s, Kitunés & similares. Queria voltar para ver o lisboeta Manaia com Duke Dumont, mas infelizmente foi a meio da semana.

O Club Felini, desde a ultima semana Boulevard, será provavelmente o mais central de Barcelona. Situado à direita (quem desce), a meio da Rambla Catalunya, o seu ambiente e afluência, reflecte a sua localização. Visitei-o num Domingo, pelo que não havia muita gente…alguns turistas e pouco mais. Só vi uma das pistas, ampla e agradável mas não foi dia para se conseguir muitas ilações sobre o espaço; se bem que, tanto pela programação como pela localização, creio que salvo excepções não é um espaço que cative ao ponto de ser indispensável a sua visita. Há um evento, às segundas feiras, chamado “Anti Karaoke” liderado por uma Hardcore singstar, que leva muitos fãs do metal/rock/derivados a arriscarem os seus dotes no micro.

Visitei o Moog, para que pudesse completar a ronda dos clubes mais conhecidos de Barcelona e foi agradável. O club é pequeno e torna-se ainda mais com o passar da noite. A programação é feita à base de DJs residentes mas com um som cuidado. Tem a pista mais pequena que já vi no primeiro andar, com 12m2, bola de espelhos e hits rock para ajudar a suar.

A Nave 4, na Pere IV, foi a festa mais out que visitei. A convite de AC3Monitor que fazia os visuais da noite (que tem uma contra-parte a trabalhar em Aveiro) e previamente avisado pelos organizadores, donos da, para mim a melhor loja de discos de Barcelona, a Routa Natural, encontrei-me num armazém por baixo de uma igreja num misto de (des)organização agradável.

Faltaram os copos ás 3h, o gelo às 4h, a cerveja às 5h, e às 6h pedia-se que hay? para beber. Pessoas diferentes e um ambiente agradável. Novamente, o alinhamento surpreendeu-me pela negativa. Alguns ritmos mais rápidos nas horas iniciais, transições bruscas e alguma falta de brilhantismo minaram um pouco a noite que, no entanto, foi bastante agradável. O cabeça de cartaz era Shakelton.

É preciso ter em conta que, pagando todas as necessidades para sair (transporte, bebidas, entradas, etc.) é caro sair em Barcelona. O botellón deixa de parecer tão disparatado e os sacos com garrafas e copos no chão, que são mais que muitos, tornam-se algo natural.

A capital da Catalunya oferece isto, e muito mais. Festas fora da cidade, casas  de ocupas, festivais, etc.. No entanto, algo que me despertou atenção, talvez por saudosismo, foi ver que, numa outra capital europeia onde se fala português, as coisas, apesar de menos, não são assim tão más, senão melhores.



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