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“O Pecado de João Agonia” (de Bernardo Santareno)

A Barreira da Vontade.

“O Pecado de João Agonia” conta a história da família Agonia, típica do interior rural (Beirã), dos anos 1960, que aguarda impacientemente pela chegada do seu membro que abandonara a terra para cumprir o serviço militar na grande cidade (Lisboa).

Durante toda a peça não são esquecidos os termos linguísticos da região, fazendo com que o espectador se remeta para o ruralismo, onde as cenas são passadas.

A grande chegada do João Agonia acontece e é recebido como herói. A partir deste momento, e em toda a história, existe um misticismo, não só por algo que sua avó prevê acontecer a “um menino”, desde há muito tempo a essa parte, bem como uma nuvem negra que paira sobre João Agonia. Os conflitos iniciam-se com o surgimento de um vizinho que frequentou o mesmo quartel militar de João Agonia, um tal de Manuel Lamas, que, de uma forma maliciosa, liberta o veneno de algo que se tinha passado no quartel: a Prisão de João Agonia. Sem nunca revelar o que realmente aconteceu, a família e vizinhos chegados (os membros da família Giestas) ficam intrigados com tais palavras e suas mentes ficam repartidas entre a curiosidade e medo de saber as razões da clausura. Quando João Agonia se debate com o ex-camarada é desvendada a razão.

A tensão do espectáculo fica cada vez maior. Com o desenrolar da história, as personagens sofrem uma alteração, provocada pela tal pressão da “revelação”, mas principalmente pelo poder discriminatório da sociedade rural em que se inserem. As dúvidas e indecisões chegam ao fim e conseguem chegar à resolução do problema, mesmo que macabro, principalmente devido às personagens que estão envolvidas na decisão. A história culmina com a tensão ao rubro e a tristeza e que se abate sobre os membros da família Agonia.

Em toda a peça encontramos emoções extremas e bastante fortes que vão certamente despertar muitos sentimentos antagónicos ao espectador, desde a alegria à tristeza, bem como a compaixão e revolta.

Apesar da história decorrer no início da década de 1960, a peça não deixa de ser actual, principalmente do ponto de vista social. Apesar de descrevermo-nos como livres, somos apenas um produto sócio/cultural do meio onde nos inserimos. A liberdade nunca deixa de ser uma utopia ideológica de cada um.

Em cena de 18 de Abril a 29 de Maio no Teatro Turim – Estrada de Benfica, nº723A, Lisboa (4ª a Sáb às 22H00|Dom às 17h00)



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