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O Sem Abrigo em Nós

Estreia esta semana

Um homem abandonado pelo mundo em Nova Iorque é o tema do filme “Viver à Margem”, com Richard Gere.

Sem abrigo e Cavalheiro

Mais do que vestir o personagem de um sem abrigo em Nova Iorque, Richard Gere, em “Viver à Margem”, personifica o que é a sociedade desumanizada em plena época da globalização e da pós-modernidade, num filme dirigido por Oren Overman.

Aparentemente com problemas de relacionamento e perturbações psicológicas, o filme retrata não o homem sem abrigo mas uma sociedade sem rumo que coloca fora do tempo linear as pessoas diferentes e que têm dificuldades em adaptar-se à corrida de ratos da sociedade.

Richard Gere não logra encarnar um sem abrigo, mas um cavalheiro sem protecção à deriva pelas ruas que dificilmente se confunde com uma pessoa com problemas graves que normalmente caracteriza o estereótipo de quem caiu na miséria.

Mundo de loucos

O esforço do actor é evidente em mostrar o que é uma pessoa nas piores circunstâncias de vida. Mas ficamos mais com a sensação de que é apenas um inadaptado que tenta manter a dignidade e a lucidez num mundo de loucos, afirmando sempre que não é um sem abrigo. Ficamos com a impressão, mesmo quando procura abrigo em hospitais, que é alguém protegido por um campo de forças que o tornam invulnerável a quase tudo, não deixando de ser a vítima central de um mundo moralmente corrupto. Encarna a própria humanidade entregue a si própria, perdida.

Ficamos com a sensação de não acontece muito durante o decorrer da acção. Um homem que se preocupa com a filha que trabalha num bar e que, ao mesmo tempo, só por ser humano tem de lidar com a selva da burocracia, do alheamento da sociedade, porque ninguém escolhe ser posto à margem. As cenas recriam o vazio do mundo ao serem paradas e repetitivas do percurso do homem pelas ruas da maior metrópole do mundo. Os aspectos mais miseráveis da verdadeira vida dos sem abrigo são de algum modo poupados no decurso da estória.

Sistema desgastado

A reflexão vai para as sociedades pseudo modernas que são lugares de vazio e de falta de humanidade.Abandonados a um não rumo, os seres humanos estão cansados deste sistema e por isso não comunicam, não se encontram no Outro.



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