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“O último amante” – Teresa Veiga

"O último amante" pode facilmente ser o primeiro amor.

Não é pelos muitos prémios que ganhou, até porque geralmente a crítica não é um barómetro fiável. Teresa Veiga é considerada um mistério porque não dá entrevistas num mundo em que qualquer um é passível de ser entrevistado, mas também não é por causa disso que a sua obra se destaca. Não só ela não escreve como o autor português típico, com a pena imbuída no fado, como consegue fundir perfeitamente a estética clássica com a moderna, tornando a sua escrita fria e tocante ao mesmo tempo e de certa forma próxima do universo formal de Edgar Allan Poe. Não com pouca frequência, sente-se um arrepio de antecipação ao lê-la.

Embora composto por quatro contos distintos, “O último amante” lê-se quase como se fosse um romance, fazendo pouca diferença que as épocas e os géneros dos personagens sejam diferentes, tal é o poder de congregação da prosa de Teresa. Capaz de agradar tanto ao leitor mais “light” como a quem procura mais profundidade nas suas aventuras, “O último amante” reune dois contos anteriormente publicados a dois inéditos e quase nos faz esquecer que o mal da escrita em Portugal é falta de garra, não de escritores.



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