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OFFF Oeiras 2009 Dia 2

Reportagem do OFFF Oeiras 2009. Dia 8 de Maio.

Imagina um lugar onde pudéssemos ter um vislumbre do futuro. A Offf foi isso mesmo: uma introdução, versão 2009, do que de mais pós-digital se faz na nossa época, numa multiplicidade de plataformas.

Mesmo quem foi sozinho à Offf, sentiu-se acompanhado. À primeira vista, o facto de ter lugar numa antiga fábrica devoluta, com milhares de metros quadrados e uma estrutura nua de betão, podia fazer-nos pensar o contrário. Mas a verdade é que a Offf esteve cheia. De novas ideias, de mentes criativas, e do atrevimento de uma comunidade ligada pelos mesmos valores originais, que renegam o banal e comummente estabelecido, e pela mesma vontade de mudar o mundo.

Para melhor. Robert L. Peters, designer, escritor, conferencista e activista (entre outras actividades), formou-se entre a Alemanha, Suiça e Inglaterra, e é uma dessas pessoas. Durante a conferência que presidiu, no dia 8, lançou bases paradigmáticas, capazes de mudar o mundo. Fórmulas de sucesso que todos conhecem mas pouco praticam, interrompidas por frases inspiradoras (projectadas em telas espalhadas pelo espaço Roots) e alguma crítica social misturaram-se num melting-pot que arrancou aplausos “de pé”. Note-se que Robert L. Peters já confirmou que vai disponibilizar, online, os conteúdos da sua apresentação na Offf.

Coelhos com laçarotes coloridos ao pescoço em forma de projecção deram o pontapé de saída para a conferência de PES. O seu primeiro short-film, “Dogs Of War”, conseguiu transformar um míssil numa salsicha de cachorro quente, o que emoldurou a sua apetência por alterar as ideias pré-estabelecidas sobre objectos particulares: gosta de brincar com as percepções que o público tem do mundo. Mas a génese do que agora o caracteriza remonta ao seu primeiro trabalho. “Foi apenas uma questão de tempo até aproveitar as características de um objecto para criar um filme à volta dele”, recordou.

Quando pequeno, foi proibido de entrar na sala de estar da família, o que classifica agora como a garantia sanidade dos seus pais. Quando cresceu, o pai ofereceu-lhe duas cadeiras, em perfeitas condições, que lhe tinham sido proibidas durante 25 anos. O resultado foi um filme porno com duas cadeiras como protagonistas. Foi o seu primeiro filme animado. “Não gostava de animação e não a conhecia”, garantiu. Teve que se ensinar a animar. Fez mobilias de madeira na sua mesa de cozinha até se sentir confortável para o lançar na internet. Aí, viu “a magia de ter uma ideia, pô-la online e saber que tinha público”, revelou.

Duas semanas depois de estar online, espantou-se quando entrou num bar e ouviu comentários sobre a sua criação. Desde aí nunca mais parou. Quase como Joshua Davis, o “padrinho” do festival: desde que se uniram, na primeira edição, nunca mais se separaram. Com Float 4, um colega seu de Montreal, produziu uma das instalações mais interactivas da Offf: com o auxílio de luzes infra-vermelhas e câmaras, reproduziam os movimentos humanos em cubos coloridos, projectados numa parede do festival.  Auto-definido um nerd de tatuagens, Joshua Davis já produziu para a BMW, Kanye West, Motorola, Nike, Volkswagen, Sony, Motown Records, Puff Daddy, Bad Boy Entertainment, Universal Records, Atlantic Records, HBO, Canon, Nokia, entre outros. No Roots conferenciou sobre o espaço sideral.

Mas o ponto alto do dia esteve mesmo na abertura, no painel dos designers portugueses, onde estiveram três mil pessoas a assistir. “Portugal tem designers com muito talento e com muita vontade. O maior problema é conseguir-se visibilidade, mas isso também depende da atitude”, referiu Rui Vieira.



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