Peaches @ Garage

26/09 - You came to see a ROCK SHOW!

O aguardado regresso desta canadiana, nascida como Merrill Beth Nisker, foi feito com o Paradise Garage completamente lotado para ver a apresentação do seu “fresquíssimo” álbum “Impeach my Bush”. Se a primeira parte, levada a cabo por Janine Rostron, foi bastante morna, talvez devido a pouca atenção dispensada pelo público (quem sabe num ambiente mais pequeno e escuro se poderá tornar deveras interessante), Peaches foi igual a si própria. Não é uma questão de “bad atitude”, é mesmo a sua atitude.

O grande aliciante deste espectáculo era ver o comportamento de Peaches, depois de anos a actuar a solo, com uma banda de fundo. Melhor ainda, se essa dita banda aguentava a elevada “pedalada” que Peaches incute nas suas performances. Olhando para a constituição da banda, com membros dos Le Tigre (J.D. Samson ) e das Hole (Sam Malone) e dos The Need (Radio Sloan) era natural que o andamento da coisa fosse acelerado, mas Peaches é mais que isso.

A primeira aparição surgiu não no palco mas, como é seu hábito, em cima do bar do Paradise Garage. Vestida (sim, note-se, vestida) a rigor com um fato prateado com um capuz espelhado tapando a cara e entoando «Tent in your Pants». Seguiu-se já em palco a curta, mas bombástica, «Fuck or Kill» em que Peaches (já com a banda de fundo) grita bem alto “I rather fuck who I want than kill who I´m told to”.

A primeira impressão transmitida pela banda foi positiva. Rádio Sloan com o seu Keystar (piano com o formato de guitarra) dava saltos à Beck da estrutura montada para a bateria onde Sam Malone fazia as caretas mais feias que conseguia. Já J.D.Samson revelava-se o elemento mais contido da banda, enquanto Peaches passeava em cima da grades (repetiu algumas vezes este número) retirando a  roupa aos poucos até chegar à roupa interior já numa fase mais adiantada.

A primeira fase do concerto foi composta exclusivamente por faixas dos ultimo álbum “Impeach my Bush”, não fosse este concerto de apresentação deste, até que Peaches pegou na guitarra, e, bem ao estilo rockeiro, e cantou “Rock Show”, faixa do primeiro álbum “Teaches for Peaches” sendo um dos grandes momentos da noite. Seguiu-se o inevitável single “DownTown” um hit bastante diferente dos apresentados ate á data, bastante mais calma que os restantes. Seguiram-se as provocações de Merril ao som de “Shake her Dix” apelando ao público “shake yours dicks and I shake my tits” (que de resto fazia-o sem problemas) enquanto surgia a aparição de um objecto fálico, que faria inveja a qualquer artesão das Caldas da Rainha, não pela qualidade da obra, mas pelo tamanho. Este objecto teve direito a uma dedicatória, a nova “Sleppery Dick” uma malha a puxar mais para as pistas de dança que as restantes apresentadas em “Impeach my Bush”. Antes de desaparecer uma primeira vez ainda teve tempo para tocar os mega êxitos “Lovertits”, “AA XXX” e “Fuck the pain away”.

O encore foi iniciado com um número nada ao jeito de Peaches: “I love you Lisbon” e “lamechices” do género finalizando com uma oferta de uma medalha a cada elemento da banda com a habitual apresentação dos elementos para ser ovacionados pelo publico. Todos os elementos da banda apareceram vestidos de branco com um casaco com letras estampadas “PEACHES AND HERMS”. Esta fase do concerto foi mais calma que a restante, mostrando a parte mais experimental da banda, tocaram bateria electrónica (Merril e Sam) e Peaches passou mesmo a caixa de ritmos da Roland, um modelo mais avançado do que a primeira com que começou a compor musicas.

Peaches apareceu, nesta noite de Setembro, rebelde como sempre, a atitude é sua imagem de marca e embora comparativamente a actuações anteriores possa parecer que perdeu algum do seu “gás”, é na nossa opinião RDB devido a uma ligeira alteração do estilo de som que este novo álbum veio mostrar e talvez de devido a banda que tem por trás dela não aguentar o seu acelerado ritmo.

Perde nas cenas provocadoras mas ganha em versatilidade, e como a Peaches não é só a rebeldia, a provocação quem fica a ganhar é a musica, perde o espectáculo…



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