PR# J.M. Coetzee

"No Coração Desta Terra" de J. M. Coetzee

J. M. Coetzee, escritor sul-africano, foi galardoado com o prémio Nobel de Literatura em 2003 e é um dos poucos autores que venceu por duas vezes o Man Booker Prize (com os livros “Life and time of Michael K.”, sem edição portuguesa, e “Desgraça”, Publicações Dom Quixote).

“No coração desta terra” foi publicado em 1977, mas só em Outubro de 2005 teve publicação no nosso país. Chega-nos 38 anos depois da sua publicação original mas em nada perde com isso. Peca apenas por isso mesmo: por só chegar agora. Mas como o velho ditado diz com sabedoria: mais vale tarde do que nunca.

O livro é forte, pungente e avassalador em muitas partes. Se tornar as coisas mais claras, pode mesmo dizer-se que é violento. A leitura deste livro provoca sensações e, quanto a mim, livros que provocam sensações deste tipo são livros muito poderosos – entenda-se: obras de grande qualidade. Sentimo-nos revoltados, magoados, tristes, indefesos. Sentimos o que as personagens sentem e esse é um mérito que não se pode retirar a Coetzee. Sentimo-nos, acima de tudo, sós – porque este é um livro cheio de solidão.
Se à primeira vista pode parecer paradoxal, estar cheio de solidão é perfeitamente possível. Não há também grandes músicas cheias de silêncio?

Este livro narra a história de uma mulher branca na África do Sul que, apesar de viver numa fazenda com o seu pai e alguns criados africanos, é terrivelmente só, embora não o admita com facilidade. É uma mulher virgem, apesar de não ser já nova, magra, escanzelada e feia. A sua relação com o pai é doentia, oscilando entre o ódio e o amor. Mas é aquando da morte do progenitor que o seu destino se começa a traçar e a tragédia se desenrola perante a sua fraqueza e impotência.

Todo o livro é de uma força tremenda e o seu final é de uma brutalidade à qual não é possível ficar indiferente. Uma brutalidade quase doce. Quem ler o livro perceberá o que quero dizer.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This