Quando Somos Apenas Nós, de Chloe Liese
Uma panaceia agridoce
Quando Somos Apenas Nós, de Chloe Liese (Chá das Cinco, 2024), é um romance de desporto, o qual segue as vidas de Willa Sutter e Ryder Bergman, na universidade. Um enredo que aborda os seus receios e sonhos, bem como tópicos sérios e dolorosos, que levam uma lágrima ao olho, desde a perda de audição derivada de uma doença, a uma doença terminal, ao luto, à negligência parental (pai ausente), que deriva numa tensão relativamente ao sexo masculino, à trope de found family, com direito a um relacionamento pleno de contradições e opostos, similar ao de Lizzie Bennet e Fitzwilliam Darcy, em Orgulho e Preconceito.
Um relacionamento cheio de equívocos e mal entendidos, que aqui manifesta uma elevada tensão sexual entre ambos, que evolui de frenemies to lovers.
De “inimigos”, saltam para uma situação que os desestabiliza a ambos, a confusa situação de “amigos com benefícios”. Gradualmente, Ryder anseia por algo mais, ao passo que Willa se retrai na sua concha, evitando os seus sentimentos.
A sua vida não é fácil, e é bem diferente da de Ryder, filho do meio de uma família amorosa de sete filhos. Willa cresceu com a sua mãe Joy, mãe solteira e igualmente amorosa e dedicada, outrora médica no exército, que se encontra com uma doença terminal.
Willa tenta abafar as vozes que lhe constatam o óbvio. Perder a mãe, seria perder tudo o que tem, mas a situação de Joy não é otimista. O que vale a Joy e Willa, é as tentativas de Joy em manter o bom humor, apesar das dores e mal-estar, tentando tranquilizar Willa.
Já Ryder, apesar do apoio da família, sofre com a sua perda de audição, o ter deixado o futebol para trás, a insistência do cunhado em arranjar pessoas para o estimularem a sair daquele estado de conformidade.
Willa e Ryder não podiam ser o mais opostos, mas o que, inicialmente, desconhecem, é que são o remédio que ambos precisam para sarar as feridas e seguir adiante.

No geral, este romance explosivo e apimentado, entre duas pessoas que usam máscaras para se protegerem da dor e trauma, é excelente. Ambos são pessoas fraturadas. Willa com um exterior áspero e algo violento, que serve para manter os outros afastados. Se estiverem afastados, ela não começa a gostar deles, e se ela não começar a gostar deles, não lhe dói se os perder. Ryder com um aspeto sério, reservado e algo resmungão, mas com um interior de ouro.
O claro problema entre ambos, é a falta de comunicação de parte a parte. Ao mesmo tempo, são os seus mal entendidos que dão lugar a uma relação regada a pimenta e picardias, até que ambos aceitam baixar as suas muralhas.
Quando Somos Apenas Nós, de Chloe Liese, é uma montanha-russa de emoções, que tanto derruba o leitor para um estado de tristeza e reflexão, como levanta os espíritos, com momentos engraçados, com toques de esperança.
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