Metasutra
Corpo a corpo.
Nas paredes as figuras perfeitamente planas de um preto lustroso e denso convidam-nos a entrar num jogo contrastes entre opostos. O preto e o branco, o grande e o pequeno, o único e o múltiplo, o humano e o fantástico.
Os trabalhos maiores podiam ser puzzles à escala real cujas peças são corpos delineados sobre os verdadeiros contornos de homens e mulheres. São impactantes, mas subtis, é preciso encontrar com atenção um pé aqui, um braço ali, uma cabeça. O resultado não remete directamente para o jogo dos corpos.
Nos trabalhos em azulejo a escala inverte-se. As figuras reduzem-se e repetem-se em padrões ritmados que remetem inevitavelmente para as geometrias de Escher. Rachel conta-nos que o seu processo tem muito de lúdico, parte dos dados do Kama Sutra, de pequenos esquissos dos seus caderninhos, de experiências trazidas da residência “Home & Abroad” ( XEREM/ Triangle Network, Sintra 2010,) na qual começou por combinar sobreposições de contornos de corpos traçados no chão.
As referências de Korman combinam Ocidente e Oriente. O prefixo grego “meta”, relacionado com comunidade, participação e mistura, justapõe-se ao título do mais famoso texto da antiguidade indiana sobre erotismo e amor, o Kama Sutra.
A artista junta tudo numa coreografia de sombras que brincam e se divertem por se parecerem agora com formas impossíveis, absurdas, mas intrigantes. É um jogo de sedução. Metasutra.
GALERIA RATTON
Rua Academia das Ciências, 2 C, Lisboa
17 JUN – 16 SET 2011
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