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Riding Pânico @ Musicbox (16.03.2017)

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Começamos a perceber o tipo de banda que são os Riding Pânico logo antes do concerto começar. Isto quando Makoto, um dos membros fundadores e que ainda continua a malhar o baixo da turma, sai do backstage em direcção ao bar. Volta ao backstage de forma sorrateira com uma garrafa de Jameson na mão. Mas não, não é o whiskey que ele traz que melhor caracteriza a banda. É a quantidade absurda de copos que ele o faz acompanhar. Riding Pânico é, sempre foi e sempre será uma celebração de amigos. E que delícia que é que essa amizade nos traga mais música nova e mais concertos apoteóticos. É que de vez em quando esquecemo-nos de como nos sabe bem abanar o pescoço assim.

Não me lembro de mais nenhum grupo que tenha passado por tantas formações diferentes. Recordemo-nos que houve um tempo em que Chris Common, o enorme baterista dos enormes These Arms Are Snakes, também já andou por aqui. Hoje em dia, aos 3 membros fundadores ali presentes no palco, juntam-se Fabio Jevelim, Miguel Abelaira e José Penacho. E sendo uma banda que vive do momento, foi exactamente isso que nos trouxeram ao Musicbox – o novíssimo Rabo de Cavalo. E assim abriram o concerto como abriram o álbum. Foi «Mats Magnusson» que começou a pôr o publico por ali a mexer as cabeças e a mostrar-nos o groove todo que andaram a magicar nestes tempos de silêncio. E que bom que é. Dinâmicas que mostram a dedicação de quem quer fazer tudo menos músicas monótonas. As setlists que se espalham pelo chão trazem ao lado do título do tema seguinte uma pequena anotação dos compassos que vêm na música. Aqui não se toca (só) quaternário – há muita variação por detrás disso. E a maneira como todos estavam a rockar mostra o quão bem tudo aquilo está ensaiado, dando asas para se mexer ao compasso do som. Fosse ele qual fosse.

Durante o concerto ouviram-se todas as malhas do álbum, tentando sempre seguir a ordem em torno da qual foi pensada a tracklist do álbum, intercalando-as com outras tantas do álbum anterior – “Homem Elefante”. Uma das coisas boas de trazer alunos novos para a turma, é a matéria nova que estes aprenderam noutro lado e que trazem para a sala, gerando-se inevitavelmente uma aula que segue por disciplinas diferentes, novos sons, novas formas de tocar. Onde antes havia guitarras abaixo das ancas e acordes cheio de peso, hoje elas são transportadas ao peito acompanhadas de riffs bem mais acelerados, com mais funk, com mais whammy.

Mais para o fim, quase a fechar o concerto, Makoto virou-se para o público: “Esta é bem antiga. O Jorge está por aí, esta é para ele.” Jorge Manso, um dos membros fundadores da banda, provavelmente já sabia o que vinha aí e, tal como todo a maioria do público que ali estava, ansioso. Makoto não disse o título da música, mas não era preciso muito para adivinhar o que vinha a seguir. Com uma guitarra em crescendo (antes tocada pelo próprio Jorge), como a prever a tempestade antes de rebentarem os trovões da banda toda em uníssono. «E Se A Bela For o Monstro», provavelmente a música mais icónica dos Riding Pânico estava aí para fazer rockar quem ainda não o estivesse a fazer. Rockar como nunca, como esta Bela sempre o pediu. «Toca a Volvo» ouviu-se a seguir.

Para o final estava reservado, a terminar o Rabo de Cavalo, a «Terreiro do Espaço» (cada nome melhor que o outro). E que belo final, caótico como um concerto de Riding Pânico deve sempre ser. Confessaram-nos que não havia espaço para encore, já tinham tocado tudo o que tinham. Mas não faz mal – para os que, compreensivelmente, ficaram com sede de mais, a dose volta a repetir-se esta sexta-feira no Maus Hábitos. É para ir ver o encore?



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