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Roma

Tão boa como as outras…

Roma está fora de moda. É um facto. Quando Itália é o destino escolhido, logo aparecem as referências a Florença e a Veneza. Mas isso, apenas quando o país da bota de salto alto é o seleccionado. O normal, em território europeu, é que a escolha recaia em Barcelona, Madrid, Londres, Berlim e Amesterdão. Estes sim estão na moda. Mas desta vez quis mudar. Penso que estava a suceder um certo menosprezo para com uma capital de um país, em tempos, também capital de império.

Fui a Roma, portanto. Chegado ao aeroporto de Fiumicino a indicação que tenho é de que existe um comboio que faz a ligação para a estação Termini, bem no centro da cidade. Perfeito. O meu hotel, segundo mapas e testemunhos de quem lá esteve hospedado, fica a cinco minutos do terminal ferroviário. Quando as portas do comboio se abrem, já o sol abandonou a cidade. Já é noite. Obedecendo às indicações do mapa, cheguei rápido à unidade hoteleira. Não foram cinco, mas dez minutos. Instalo-me no meu quarto, deixo o trolley e vou definitivamente começar a conhecer a cidade. Antes, e porque são já 20 horas, vou jantar.

A refeição foge ao padrão de alimentação esperada em território transalpino. Escolho um restaurante filipino. A gastronomia é boa e, o mais surpreendente, o preço: 11 euros.

Sendo sexta-feira à noite e com viagem de regresso apenas na segunda, tenho dois dias inteiros para conhecer a zona histórica de Roma. Mas é sexta-feira e certamente que Roma apresentará argumentos fortes para ficar acordado. Não me aventuro muito, ainda assim. Conheço a Piazza della Repubblica, o Teatro dell´Opera e desço até ao Coliseu, o primeiro grande monumento histórico que se me depara. Bem iluminado, o recinto destaca-se pela sua imponência. Após a fase de contemplação, passo ao registo em que trata-se apenas de mais um edifício. Ao lado, ou melhor, à volta deste marco do império romano, existe uma vasta área verde e arqueológica, onde se juntam centenas de jovens para beber um copo. Estamos já a respirar os ritmos da metrópole. Apesar do entusiasmo, regresso ao hotel relativamente cedo.

Um sábado de manhã em Roma não perde intensidade. Há os que dormem da noite longa anterior, mas há, também, aqueles que começam a colorir as ruas logo nas primeiras horas de sol. Motorizadas, carros, bicicletas e muita gente. Parece que é dia de trabalho, mas não é. Pelo menos para a maioria. As travessias nas passadeiras chegam a ser verdadeiras aventuras para o peão. Nunca se sabe quando um automóvel ou uma mota vão parar. Neste particular, prefiro Buenos Aires, pois nunca param. Aqui param às vezes. Ficamos na dúvida e por vezes arriscamos. Ainda que paradoxalmente, acaba por ser mais perigoso.

Já com conhecimento de alguns caminhos percorridos na noite anterior, facilmente chego à zona do Coliseu. Não me aproximo. A quantidade de turistas de volta do monumento é tanta, que penso que estou nas imediações do Estádio Olímpico, para assistir a um Roma–Lázio, o maior dérbi da capital, no que a futebol diz respeito.

Observo ao longe, só com a curiosidade de ver o Coliseu de Roma iluminado com luz natural. A seguir Circo Máximo, Fórum Romano e a imperial Piazza Veneza. Tudo giro e cheio de história. Cansado, vou almoçar. Agora sim, comida italiana. Peço uma pizza com tudo a que tenho direito. Copo de vinho a fazer companhia e leitura dos diários Corriere della Sera e o rosa Corriere dello Sport. Fico a saber das constantes irritações de Mourinho com a imprensa italiana, a antevisão do escaldante Roma-Inter, as eleições regionais em Itália e os escândalos na Igreja Católica.

Mais uma ou outra volta, passam algumas horas, excesso de carabinieri nas ruas, algum lixo também, mas tudo óptimo. Continuo a dizer que Roma tem sido esquecida e mal tratada.

À noite o destino só pode ser Trastevere. Para aqui chegar atravessei de autocarro o rio com o mesmo nome da localidade. Aqui a vida nocturna é intensa. Sem rodeios, posso afirmar que estou num um Bairro Alto, mas sem inclinações. Tudo plano. O conceito é o mesmo. Bebe-se melhor na rua que nos bares. Informalidade, arte, cultura, vinho, cerveja, música, esplanadas com toalhas aos quadrados vermelhos e brancos a forrar as mesas e futebol.

Informado pelo jornal desportivo que comprei pela manhã, sabia que disputar-se-ia o Roma-Inter. “Il gioco del scudetto” diziam os romanos por quem passava. E numa cidade como Roma, é vital perceber também a sua relação com o desporto-rei. Foi isso que fiz. Entrei num bar repleto de adeptos da equipa da capital, onde apenas residia um “tiffosi” do Inter de Milão. O mais ruidoso, por sinal. No final da partida a festa ficou a cargo da equipa da casa. Buzinadelas e cânticos de vitória ecoaram durante o resto da madrugada. Vinho, cerveja e sangria continuaram a fazer parte da ementa de toda a gente. Da minha também.

A noite de sábado foi mais longa que a anterior. Por isso fiquei mais tempo na cama do hotel, não por ser confortável (pelo contrário), mas porque é sempre importante descansar bem. O destino era o Vaticano. Tal como o Coliseu, iria ter milhares de turistas e fiéis, ainda para mais num domingo. Sendo assim, o melhor era deixar acabar a missa matinal. Fiz bem. O único problema foi à chegada. Era como se uma onda gigante embatesse contra o meu corpo e me levasse de volta para terra. Ainda ouvi comentários: “A missa já acabou!” por ir contra a maré.

Chegado ao objectivo e já com menos obstáculos humanos, contemplo da melhor forma a Praça de São Pedro. Sou sincero, não senti nenhuma força extra-natural, mas a imponência do local é capaz de esmagar até o menos católico. A Basílica de São Pedro, logo atrás, completa o ramalhete.

Faltavam ainda algumas zonas “obrigatórias” para visitar, e por isso fiz o regresso a pé. Piazza del Popolo, Piaza Spagna e Fontana di Trevi foram as paragens. Pelo meio, um copo de vinho a acompanhar, mais japoneses e alemães que italianos, muito calor e o regresso a Via Palestro, onde se situava a minha modesta unidade hoteleira. O jantar, esse, foi no MacDonalds. Peço desculpa. Já tinha pouco dinheiro.

No dia seguinte o regresso. Estação Termini, aeroporto de Fiumicino, fila interminável nos balcões para o check-in e aeroporto de Lisboa. Estou cá novamente, mas Roma vale a pena.



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