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Rose Blanket

O músico distraído.

Depois de um primeiro disco homónimo e de “Early Balloons”, o segundo disco de originais, os Rose Blanket regressam às canções. “Nothing Ahead/Nothing Behind” é o terceiro longa duração do projecto liderado por Miguel Dias e estará nas lojas a partir de 3 de Outubro. As canções continuam a ser simples e melódicas, com referência à folk, e são abrilhantadas por alguns convidados especiais, nomeadamente Jennifer Charles, a vocalista da banda nova-iorquina Elysian Fields. Um disco duplo que é o resultado de três anos particularmente criativos na vida do músico mas que, para desilusão dos fãs, não apresentará o álbum ao vivo. A RDB falou com Miguel Dias e foi descobrir porquê.

“Nothing Ahead/Nothing Behind” é o nome do vosso terceiro disco. O que deixaram para trás e o que encontraram pela frente durante todo o trabalho de composição?

Não sei bem o que responder a esta pergunta, mas posso dizer que o significado que retiro do título do disco tem sobretudo a ver com a sua própria dualidade e a noção do aqui e agora. Por um lado, o aqui e agora confortável, de estar apenas no momento. Por outro lado, uma perspectiva menos agradável, de sensação de incapacidade de invocar o que está para trás ou imaginar o que estará para a frente, bloqueado no aqui e agora.

Qual foi o ponto de partida para a criação do álbum?

O disco anterior. Gostei muito de o ter feito, mas ficou uma clara sensação que não era algo acabado. As ideias estavam lá, os temas eram basicamente aquilo, mas faltou a possibilidade de refazer algumas coisas. Tive vários problemas com a gravação, mistura e produção. Nada melhor que resolver essa sensação gravando outro. Claro que outro factor fundamental foi o de, nessa altura, em finais de 2008, sentir-me numa fase particularmente criativa, com muitos potenciais novos temas e muitas ideias ao nível de sonoridades e arranjos para explorar.

Porquê gravar um disco duplo?

Na verdade, não foi essa a intenção inicial. Quando iniciei as gravações, ainda em 2008, o objectivo era produzir dois discos para serem editados separadamente e espaçados no tempo, aproveitando a tal fase especialmente produtiva em que me sentia. Essa ideia inicial manteve-se até depois de concluído o primeiro disco. Só em finais de 2010, e devido a uma série de outros factores, acabei por ponderar uma alternativa, a de um disco duplo, que se acabou por concretizar e que agora acho que faz muito sentido.

O álbum foi gravado ao longo de praticamente três anos. Como foi esse processo de gravação?

Com uma definição clara de não ter um horizonte pré-definido para a concretização em disco, que foi uma limitação nos trabalhos anteriores. Ao mesmo tempo, mantive o espírito de colaborações e participações de diferentes músicos que iniciei no disco anterior. E da forma que eu particularmente aprecio; os músicos conhecerem o tema e gravarem na altura. Assumindo despreocupadamente os benefícios e as limitações desta forma de trabalhar.

Para além disso, “Nothing Ahead/Nothing Behind” foi feito entre duas cidades: Barcelos e Lisboa. Podemos dizer que este é um disco de viagens? De que forma essas duas cidades inspiraram as canções?

Em Rose Blanket tudo nasce de algo absolutamente abstracto. Não existe a procura de conceitos, significados. Os temas partem de ideias simples, que vão crescendo, tomando forma, num processo inteiramente espontâneo e até impulsivo. Especialmente em Barcelos, onde a grande maioria dos dois discos foi gravado, senti ter as condições ideais para fazer aquilo que verdadeiramente me faz manter este projecto; criar, construir, partilhar. À posteriori retiro alguns significados, vislumbro algumas explicações, mas para o caso da questão em concreto, as viagens e as duas cidades não sinto que tenham sido uma grande influência neste processo.

“Nothing Ahead/Nothing Behind” conta com a participação de vários músicos, nomeadamente a nova-iorquina Jennifer Charles da banda Elysian Fields. Como surgiu a oportunidade de tê-la neste disco?

O tema que a Jennifer Charles gravou era um de 4, 5 temas que tinha a intenção de endereçar um convite a alguém para uma colaboração completamente livre, assim ao jeito da participação da Ana Deus no disco anterior. Aliás, foi essa colaboração, com a qual fiquei tão satisfeito, que foi o impulso determinante para repetir este tipo de experiência. Obtive o contacto da Jennifer e enviei-lhe dois temas para ela escolher um, e ela aceitou o desafio, tal como a Dana Schechter que gravou no outro tema em que foi possível concretizar aquele conceito de colaboração livre, sem restrições ou impedimentos de alguma ordem.

Para quando o lançamento do álbum?

O disco estará nas lojas a partir de dia 3 de Outubro.

Já têm concertos agendados? Quando e onde poderemos ouvir os Rose Blanket ao vivo?

Não está nos meus planos associar a esta edição a realização de concertos de apresentação.

Porquê essa opção? Normalmente os concertos são a parte divertida de ser músico.

Não foi uma opção fácil. Ao longo destes três anos de gravação, foi algo que se foi interiorizando. A verdade é que começou a ser algo desagradável a sensação de que faria os concertos apenas porque assim é suposto. E como em tudo, se por um lado existe o que é suposto fazer, por outro existe o que quero fazer. No meio disto existe muita coisa, mas voltando ao início da entrevista, acabo por reivindicar uma própria limitação minha: nos concertos não consigo estar no aqui e agora, a desfrutar do momento. Como é natural, esta opção acaba por ter reflexo negativo quer na visibilidade do projecto, quer na sua independência financeira, algo que até agora e sobretudo por via dos concertos realizados tem sido possível assegurar. Mas são claramente factores com menos peso do que a minha própria vontade e identidade.



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