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Shadow of the Beast | Análise

27 anos depois há ainda quem fale sobre Shadow of the Beast, quem o jogue e, sobretudo, quem lhe preste uma devida homenagem!

Há 27 anos, foi lançado para a Commodore Amiga um jogo chamado Shadow of the Beast, produzido pelo estúdio Reflections e publicado pela Psygnosis. A recepção por parte da crítica especializada, bem como por aqueles que jogaram a primeira aventura de Aarbron não podia ter sido melhor. A banda sonora era de grande qualidade (cortesia do compositor David Whittaker) mas foi sobretudo o grafismo que fez com que, na altura, Shadow of the Beast tivesse vindo a ser considerado como revolucionário. Isto por apresentar no nosso ecrã um número de cores maior do que o habitual e uma fluída animação de deslocação dos planos de fundo em Parallax, raramente vista em jogos de acção. Hoje carrega o título de jogo de culto. Foi esquecido por muitos, outros nem o chegaram a conhecer mas há ainda quem fale sobre ele, quem o jogue e sobretudo, quem lhe preste homenagem. Uma dessas mesmas homenagens chega hoje, em exclusivo, para a PlayStation 4 e é sobre ela que vos venho falar hoje.

Depois de três anos em produção, o estúdio independente Heavy Spectrum prepara-se para lançar uma “produção de peso”: uma adaptação, ou melhor o reimaginar, de um clássico intemporal para os dias de hoje. Aarbron está de volta aos nossos ecrãs e a sua fúria não conhece limites.

Tal como acontecia no jogo original, Shadow of the Beast conta-nos a história de Aarbron. Raptado pelo poderoso feiticeiro Maletoth quando era ainda uma criança, foi depois transformado num monstruoso guerreiro. Os anos passaram e Aarbron cresceu tal como as suas habilidades de combate. Ainda escravo do poder do maléfico feiticeiro, é sem qualquer sentimento de remorso ou sinal de hesitação que Aarbron “estraçalha”, com as suas garras, todos os que se cruzam no seu caminho… Incluindo o seu pai. Foi graças a este incidente que Aarbron recuperou a sua memória e conseguiu quebrar as correntes que o aprisionavam. Agora livre, o seu objectivo ficou claro: Encontrar e destruir o seu raptor, Maletoth!

A história desenvolve-se à medida que vamos progredindo no jogo mas só bem mais tarde, provavelmente no início de um novo jogo é que a vamos compreender na totalidade. Escondidas pelos vários cenários do jogo encontram-se Prophecy Orbs que nos vão indicando um pouco do que se passa mas, no que toca aos diálogos presentes no jogo, a capacidade de Aarbron compreender as várias línguas das raças com as quais se vai cruzar tem de ser desbloqueada. Para isso é preciso gastar Mana. Esta consiste na conversão da pontuação alcançada num determinado nível. Quanto melhor for a nossa prestação, mais pontos arrecadamos e consequentemente mais pontos de Mana conseguimos amealhar. Com ela podemos desbloquear outras componentes, como uma emulação do título original da Commodore Amiga, vidas infinitas para o mesmo bem como a banda sonora original (ao som da qual podemos jogar esta nova aventura), e galerias de arte conceptual que não posso deixar de recomendar que contemplem. Acreditem que é qualquer coisa. Só que ainda falando sobre a Mana, é com ela que podemos melhorar a forma de jogar com Aarbron, aumentando os seus pontos de vida e adquirindo novas habilidades de combate ou aumentando a eficácia de outras.

 

Ao mostrar-se bem mais visceral do que o título original, ao qual presta homenagem, é na jogabilidade que este novo Shadow of the Beast mais ganha destaque. Requer alguma habituação mas quando conseguimos dominá-la é gratificante dar de caras com sequências de combate frenéticas onde espalhamos o sangue dos nossos inimigos não só pelo cenário como também pelo ecrã. A acção é de deslocamento lateral em 2D só que, muitas vezes, os cenários fecham-se, tanto à nossa frente como à rectaguarda e temos de enfrentar enormes vagas de adversários. Para atacar basta pressionar apenas um botão, mas não é a martelá-lo que vão alcançar as pontuações mais altas e consequentemente as melhores posições na tabela de pontuações. Aarbron tem ao seu dispor um enorme leque de habilidades mas é preciso saber quando é que devemos executar cada uma delas. Atacar é fácil, basta pressionar o Quadrado. Martelar o botão de ataque é fácil, mas esperar pelo timing certo, é mais complicado mas garante-nos melhores pontuações. O sentido de timing é crucial, ataquem quando a arma do vosso adversário brilhar e vejam os pontos a subir drasticamente. Podem bloquear tanto à frente como à rectaguarda, contra-atacar, agarrar e projectar o vosso adversário para cima de outros, paralisar e até saltar para trás dos vossos inimigos. Em momentos de maior aperto, podem desencadear um ataque especial que cobre o cenário com uma floresta de espinhos e se gastarem as três barras de sangue (que vão enchendo à medida que derrotam os vossos inimigos) têm direito a uma sequência de ataques devastadora. Aprendam a gerir todas estas dinâmicas e no final dos encontros vejam a vossa medalha a subir de Broze para Prata, Ouro ou Platina. Apontem para as medalhas de platina pois com elas ganham vidas extra para o caso de morrerem em combate. Sofram demasiado dano ou morram muitas vezes durante estes confrontos e sejam premiados com uma medalha de… Chumbo. O arsenal de Aarbron é vasto e confere uma jogabilidade versátil e bem dinâmica mas uma vez que o jogo só tem sete níveis para nos oferecer, é pena que só lá para o fim é que já a tenhamos devidamente dominada.

Quando Aarbron não está envolvido em combates de extrema violência, podemos apreciar devidamente os cenários do jogo. Desde florestas, a um deserto hostil, atravessei um pântano e acabei no que que mais se parece com o inferno. Não trazem consigo o avanço tecnológico que o título original trouxe no seu tempo, mas não desiludem mostrando-se bem detalhados, vibrantes e assentam muito bem na temática do jogo. Além disso são também vastos, muitas vezes oferecendo escalas impressionantes e muitos segredos para descobrir como coleccionáveis e combates mais desafiantes. Para os atravessarmos e progredir na história, Shadow of the Beast recorre ao estilo de plataformas e infelizmente é aqui que o jogo menos brilha. Sem falar da deslocação algo trapalhona de Aarbron, o nosso anti-herói nem sempre se agarra às paredes quando queremos e por vezes nem sabemos para onde devemos avançar. Felizmente que alguns dos segredos que temos para desbloquear com mana são Amuletos e um deles reduz o fatídico dano sofrido pelas quedas.

 

27 anos depois há ainda quem fale sobre Shadow of the Beast, quem o jogue e sobretudo, quem lhe preste uma devida homenagem! Este novo Shadow of the Beast é o culminar de três anos de trabalho levado a cabo por um grupo de sete pessoas unidos pela mesma paixão e pelo mesmo apreço a um jogo que no passado foi capaz de levar a indústria para a frente. Este reimaginar da primeira aventura de Aarbron chega à PS4 não com as expectativas de inovar mas sim de prestar a devida homenagem a um clássico intemporal. Apesar de alguns tropeços, sobretudo na vertente de plataformas, esta moderna abordagem a Shadow of the Beast pisca os olhos ao passado assegurando aos fãs da série que facilmente irão encontrar motivos para a apreciar. No entanto olha também para o presente e para a actual geração de consolas e jogadores, oferecendo cenários extensos e vibrantes, fortemente inspirados na versão original. Para superar os confrontos que neles irão decorrer há que tirar o máximo proveito do leque de habilidades de Aarbron. Será necessária alguma habituação mas quando dominada a jogabilidade de  Shadow of the Beast farão parte de momentos, sem dúvida memoráveis.



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