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The Last Guardian | Análise

Emocionante, enternecedor e comovente, de início ao fim!

Parece que passou uma eternidade desde que The Last Guardian foi anunciado pela primeira vez, não é? Depois do sucesso de Ico e Shadow of the Colossus (ainda para a PlayStation 2) muito tempo tiveram de esperar os fãs para conhecerem esta nova aventura uma vez mais levada a cabo pelo incomparável Fumito Ueda, lado a lado com os estúdios Japan Studio, que marca o seu regresso, e genDESIGN. Depois de uma árdua e longa fase de produção, a espera terminou finalmente. É já daqui por dois dias – 7 de Dezembro – que os jogadores de PS4 vão poder acompanhar uma das histórias mais emocionantes que tive o prazer de jogar este ano.

A nossa aventura começa com um jovem rapaz, o protagonista, a acordar no chão de uma enorme caverna. Para seu grande espanto, depois de abrir os olhos repara que o seu corpo está coberto por umas misteriosas marcas mas também que uma enorme criatura, meio-pássaro, meio-gato, olha para ele. Trata-se de uma criatura lendária à qual chama Trico. Mostrando não ter forças para se mexer, o rapaz pergunta-se se terá fome mas ao reparar nas lanças cravadas no seu corpo, depressa se apercebe que também a dor aflige esta nobre criatura. O rapaz decide deitar mãos ao trabalho. Vasculhando a caverna, encontra barris com comida e depois de alimentado chega a hora de o ajudar a levantar-se. Aqui, bem ao estilo de Shadow of the Colossus, teremos de ajudar o rapaz a trepar pelo corpo de Trico e, uma a uma, remover as lanças e a corrente que o impede de movimentar-se livremente. Finalmente livre, depois de se erguer majestosamente, delicadamente Trico baixa a sua cabeça ao nível do rapaz e, qual gato, agradece-lhe com umas calorosas “marradinhas.” Estavam agora reunidas as condições para que estes dois amigos improváveis pudessem dar início à sua épica viagem rumo à liberdade e emocionante é o mínimo que posso dizer sobre ela.

Visualmente este é um título impressionante. Os contornos sombrios dos cenários de interior das ruínas que vamos percorrer conferem uma atmosfera sombria, típica da trilogia criada por Fumito Ueda, mas que de forma muito peculiar confere também ao jogador o enorme desejo de os explorar, pois nunca se sabe o que espreita a cada esquina. Já no que toca ao exterior, é aqui que a arte conceptual de The Last Guardian ganha realmente vida e quase que a implorar que percamos algum tempo a contemplá-la. Foi com imenso gosto que o fiz e desculpa lá Trico se, por causa disso, tiveste de ficar sozinho mais tempo do que o necessário. As secções com vegetação saltam logo à vista e o mesmo se pode dizer da paisagem que lá bem no horizonte nos sugere outros locais que mais tarde havemos de atravessar.

 

Foi gratificante observar que quanto mais progredia na história, mais forte ficava o laço entre Trico e o jovem rapaz. A deslocação de cenário em cenário é feita num misto de acção de Puzzle e Plataformas. Procurar barris de comida ou contornar algumas secções, de modo a encontrar uma forma de o nosso companheiro gigante poder continuar a seguir viagem connosco – o que geralmente se traduz numa alavanca – será a ordem do dia. Não se preocupem que nunca cairão no aborrecimento mas dependendo da sorte de cada um, The Last Guardian pode levar a algumas frustrações. Isto porque não só teremos de contar com a nossa capacidade de resolução dos vários desafios com os quais nos iremos deparar como também teremos de equacionar se Trico está… “disposto” a dar-nos dar uma “mãozinha” sempre que faça parte da solução. Observar Trico a voltar para trás, quando lhe indicamos uma direcção completamente oposta pode levar a alguns suspiros da nossa parte, sobretudo quando constatamos que, se tudo corresse bem, a travessia de algumas secções podia ser feita num ápice em vez de levar vários minutos, graças a uma relutância algo aleatória por parte do nosso companheiro de viagem.

Se Agro de Shadow of the Colossus é para mim um dos melhores Side-Kicks da história dos videojogos, o que dizer de Trico? É tão comovente a lealdade, a gratidão e o carinho que vai demonstrando ao longo de todo o jogo. Observar a curiosidade e o espírito brincalhão que manifesta ao interagir tanto com Trico como com os vários elementos dos cenários, deixaram-me sempre de sorriso na cara. Já a voracidade com que sempre protegeu, ou tentou proteger o jovem rapaz – muitas vezes negligenciando a sua própria vida – foi de tal forma arrebatadora que só me deu ainda mais vontade de levar esta aventura até ao fim. Terminados os confrontos, chega a altura de sermos nós a ajudar Trico, acalmando-o com uma boa dose de festas e removendo as lanças que lhe vão sendo cravadas no corpo. A animação que o acompanha, bem como os sons que emite – especialmente, o de tristeza quando precisamos de nos afastar durante alguns momentos – são enternecedores ao ponto de lhe conferirem ainda mais realismo e me fazerem pensar que não estou apenas perante uma I.A., o que de alguma forma me permite perdoar a sua teimosia quando não quer seguir na direcção que lhe sugiro. É mesmo gato!

 

Podia passar aqui horas a dizer-vos o quão The Last Guardian me impressionou e emocionou mas o facto é que não existem elogios suficientes que descrevam da melhor forma o que Fumito Ueda conseguiu trazer para as nossas salas, sobretudo se tivermos em conta os vários problemas que teve de ultrapassar para conseguir finalizar a produção deste título. Além disso, não quero correr o risco de vos estragar a experiência. Se precisava de mais algum polimento? Talvez a nível da câmara que infelizmente em secções mais apertadas não funciona da melhor forma, o que em conjunto com a relutância de Trico em responder a algumas das nossas sugestões, pode de alguma forma comprometer a fluidez da nossa aventura. Não obstante, The Last Guardian faz-se acompanhar por elementos que mais do que compensam estas duas questões. O grafismo não tem precedentes nesta trilogia e a banda sonora é uma vez mais de excelência, de tão bem que acompanha toda a acção do jogo. Já no que toca à história, essa é incontornável para qualquer fã do género e para quem estava receoso que o novo projecto de Fumito Ueda pudesse de alguma forma desiludir. Esta é sem dúvida uma das histórias mais emocionantes que já agraciou o universo dos vídeojogos e acreditem que valeu bem a pena esperar por ela!



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