Short Stories @ RDB #7

"A Solução Possível..."

Estava na flor da idade! Tudo lhe corria bem e nunca se havia preocupado com nada até este ponto da sua vida. O futuro não existia e tudo se parecia resumir à aventura que era viver o dia-a-dia. Sempre fora um engatatão, mas há um par de anos que tinha decidido assentar e descobrir como seria a monogamia. “Para variar… Eu até gostava dela… e assim não andava sempre naquele ritmo infernal de procurar a minha próxima conquista”.

Entretanto, chega uma nova fase da sua vida. Termina o curso na faculdade e, ao mesmo tempo que as divagações sobre o futuro lhe martelam a cabeça, a única relação estável que alguma vez tivera vai pelo cano abaixo.

“Não pode ser. Como vou habituar-me a uma nova rotina, a novos hábitos, a não ter o calor do seu corpo ao meu lado ou a sua presença cada vez que precisar de desabafar sobre alguma coisa? Deixou-me despojado de tudo a que estava habituado! Fui mesmo estúpido em deixar-me cair nesta rotina! Só faço merda…”, pensa ele, enquanto caminha para um qualquer lugar com uns amigos que o tentam animar. Já tinha passado imenso tempo. Quanto ao certo ele não sabia… Desde o momento em que acabou com a namorada tudo se tornou enublado e efémero; as horas e os dias já não importavam, não queria saber dos amigos ou de qualquer tipo de banalidade. Tudo lhe parecia tão desprovido de sentido agora que não a tinha…

Enquanto pensava nisto deu por si no local elegido pelos amigos para o fazer esquecer todas as preocupações. O sítio era escuro, tinha uma música de gosto duvidoso e cheirava imensamente a tabaco. O barulho das pessoas a falar era ensurdecedor e tudo à sua volta lhe parecia suspeito.

De repente, ouviu um amigo dizer: “Cá está ela. Chega aqui que quero apresentar-te uma amiga. Esta sim, não te trará problemas de maior e estará sempre lá para ti.”

Milhões de pequenos pensamentos atravessavam-lhe a cabeça enquanto que uma ansiedade enorme lhe preenchia a alma. De todas as coisas que os amigos lhe podiam ter feito, aquela era definitivamente a pior. Não precisava que ninguém o animasse, ou que o tratassem de forma condescendente. “São sempre a mesma coisa! Não percebem que ninguém para além de mim poderá resolver isto? A última coisa em que quero agora sequer pensar é em algo feminino!”

Depois de um certo tempo a pensar no que fazer, decidiu render-se e levar as coisas na desportiva. Mais uma vez o barulho lhe pareceu ensurdecedor e do seu nome só apanhou a primeira (C) e a última letra (A). Não quis dar má impressão e não perguntou de novo. Aliás, nada disse. Encostou-se ao balcão, confrontou-a com o seu olhar desconfiado e deixou-se estar a pensar. “Será que tenho mesmo algo a perder? Se calhar até é a melhor solução… ou não… que raio! Porque aceitei vir com eles?”

Os amigos perguntavam-lhe qual era o problema e tentavam incentivá-lo, mas em vão. Por fim, cedeu. Virou-se repentinamente para ela, agarrou-a com a mão direita e mergulhou na sua boca. Deixou-se estar, sem pressas, a saboreá-la enquanto os amigos permaneciam estarrecidos. Depois disto, admirou-a. Loira, com curvas sensuais e ao alcance da sua mão, era o sonho de qualquer homem. Com esta constatação, virou-se para os amigos, sorriu (pela primeira vez desde que acabara com a namorada) e voltou a pegar na “sua” loira, enquanto dizia: “Parece-me que não tenho nada com que me preocupar. O futuro apresenta-se-me risonho. Como se chama a nossa amiga?”

“Cerveja!” responderam todos ao mesmo tempo. Nem parecia que tinha acabado com a namorada há trinta minutos atrás…



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