Super Bock Super Rock 2015 | Dia #1 (16-07-2015)

Super Bock Super Rock 2015 | Dia #1 (16-07-2015)

Shall we start?

Foi com esta frase que King Gizzard & The Lizard Wizard terminaram o soundcheck e abriram as hostilidades, num primeiro dia que teve o seu apogeu num recital sobre como dar um grande concerto, pela mão de um veterano.

Sendo ainda dia de semana, grande parte do público só teve oportunidade de aparecer mais à tardinha, mas os King Gizzard & The Lizard Wizard, à boleia do seu rock esfuziante, fizeram com que a 21ª edição do SBSR fosse dos 0 aos 100 em brevíssimos segundos. Garage rock psicadélico com uma entrega em palco irrepreensível foi o primeiro prato do dia confeccionado por uma das muitas bandas promovidas do Vodafone Mexefest para este festival de Verão.

Após a estreia do palco EDP foi a vez do palco Antena 3 dar o tiro de partida através do gatilho da Duquesa, que arrancou com um cover de Girls, e prosseguiu o desfile das suas próprias canções, refrescantes e veraneantes.

A pop quase sempre embrulhada em ritmos electrónicos suaves dos Milky Chance estreou o palco Super Bock, na MEO Arena, e foi agradando a uma falange de apoio dedicada que se situava essencialmente junto às grades do palco.

Foi depois tempo de aproveitarmos novamente a sombra da pala do Pavilhão de Portugal e desfrutarmos Perfume Genius. O concerto não arrancou de forma perfeita, dado que ainda durante a primeira música o som falhou. Quase sem ninguém dar por isso, e como forma de recompensar o público, Mike Hadreas imiscui-se na plateia sendo imediatamente abraçado por dezenas de fãs, que aproveitaram para registarem fotograficamente aquele momento inesperado.

Resolvidas as dificuldades técnicas, a banda arrancou do ponto onde tinha sido silenciada, e exibiu toda a intensidade e beleza das suas canções.

Regressámos ao pavilhão para escutar The Vaccines, que vieram apresentar a Portugal as novas composições extraídas do recente “English Graffiti”. E foi exactamente com «Handsome», o primeiro single do novo disco, que a actuação começou, tendo depois revisitado também os singles de álbuns pretéritos, numa sessão sempre plena de garra.

A MEO Arena continuava ainda a meio gás mas apenas em termos de público, porque no palco a força já começava a ser debitada seriamente.

No Palco EDP, a energia também voltava a subir com os ritmos ecléticos de Little Dragon, de regresso ao Super Bock Super Rock após a actuação no Meco, sempre acompanhados pela deliciosa voz de Yukimi Nagano. A banda sueca concebe um cocktail exótico que acaba por conseguir agradar a um naipe largo de fãs.

Por esta hora, começava a chegar imenso público, facto que obrigou as bilheteiras a mudar o método de troca de pulseira, de forma a proporcionar um acesso mais rápido ao recinto aos milhares de pessoas que se conglomeravam à entrada.

Entretanto, tingia-se novamente de tons britânicos o Palco Super Bock: Noel Gallagher’s High Flying Birds eram o nome seguinte num horário bastante exigente neste primeiro dia, devido a tantos concertos interessantes no alinhamento.

Os pontos altos da performance ocorreram nos singles do mais recente disco, “Chasing Yesterday”, e naturalmente nas recordações que foi buscar ao baú Oasis. Foi aliás com «Don’t Look Back in Anger» que o concerto findou, proporcionando o primeiro momento de cantoria uníssona da plateia que progressivamente ia dando outra cor ao pavilhão.

Para fechar as portas do palco secundário, neste dia inicial, os SBTRKT colocaram a carne toda no assador. Uma exibição portentosa, durante a qual jogaram todos os trunfos, incluindo o remix que assinaram para «Lotus Flower», dos Radiohead. Terá sido o melhor concerto do Palco EDP na passada Quinta-Feira.

Neste primeiro dia de SBSR, notava-se claramente por entre o público que se deslocou ao Parque das Nações grupos que não se encontram por norma nestes certames, de idade mais avançada, que não cabem num eventual protótipo de festivaleiro, se é que existe. Foi positivo apreciar este pormenor, proporcionado pelo cartaz do SBSR, que era facilmente previsível tendo em conta ser Sting o nome maior na abertura desta edição, havendo muito boa gente que se deslocou apenas com o intuito de assistir a esse concerto.

E que enorme concerto ofereceu Sting. Tendo em conta os primórdios mais rock da sua carreira, e o facto de ser um músico experiente, antevia-se que conseguisse facilmente moldar o espectáculo para que encaixasse no conceito de festival de Verão. Ainda que a sua actuação decorresse num ambiente de pavilhão, que lhe é bastante familiar.

Tal como o próprio anunciou dias antes, Sting fez desfilar pelo alinhamento apresentado na MEO Arena um rol infindável de êxitos, quer dos Police, quer do seu catálogo a solo: «Walking on the Moon», «De Do Do Do De Da Da Da», «Every Breath You Take», «Desert Rose», «Roxanne» (a meio da qual até um cover de Bill Withers foi tocado), e por aí fora. Tudo feito com boa disposição, musicalmente irrepreensível e com uma qualidade a nível de som que nem sempre é atingida naquele pavilhão.

Foi um daqueles concertos em que saímos realmente satisfeitos, como que saídos de um autêntico banquete musical.

Era chegada a altura de visitar pela primeira vez a Sala Tejo, o segundo espaço oferecido pela MEO Arena ao SBSR, e onde se apresentavam os nomes mais ligados à dança e electrónica. Tendo apenas visto o último par de temas de Toro Y Moi seria injusto tecer qualquer tipo de apreciação, independentemente do sentido que a mesma tomasse.

Vieram depois os portugueses Mirror People, que firmaram devidamente os créditos da sua pop electrónica, onde todos os detalhes são medidos e colocados no sítio certo, mostrando que o disco “Voyager”, lançado este ano, não é obra do acaso. Nesta actuação no SBSR, ao núcleo duro juntou-se o multi-instrumentista António Bastos, que enriqueceu ainda mais o som da banda nas duas ou três músicas em que participou.

O ponto final da primeira noite foi posto por Xinobi, que transformou a Sala Tejo num verdadeiro club, onde pontificaram os mais resistentes às largas horas de música que perfilaram neste dia.

Fotografia por José Eduardo Real. Galeria do primeiro dia aqui; Segundo dia aqui.



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