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Super Bock Super Rock | Dia 1 (19.07.2018)

O palco secundário do SBSR foi decididamente a nossa praia na Quinta-feira.

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O festival estava ainda a ganhar forma, especialmente em termos de moldura humana, quando os Parkinsons subiram ao Palco EDP para abrir as hostilidades da vigésima quarta edição do Super Bock Super Rock (SBSR). E, que nem um potente bólide, os conimbricenses foram dos zero aos cem numa questão de segundos, não se deixando apoquentar pelo pouco público que se registava às 17h. Afonso Pinto desceu do palco e saltou o gradeamento, por diversas vezes, actuando literalmente no meio da plateia que foi crescendo tímida mas continuamente. Criava-se uma espécie de avenida no centro onde o vocalista cantava e dançava livremente. E é toda esta agitação que garante aos Parkinsons a fama que granjeia cá e além-fronteiras, e que garante uma entrega total em todos os concertos, numa atitude inteiramente condizente com a fúria punk que a sua música traduz. Pode muito bem dizer-se que o SBSR entrou a pés juntos, providenciando um excelente aquecimento para o dia inaugural.

Seguidamente, no mesmo palco sob a pala do Pavilhão de Portugal, apresentaram-se os Parcels, com o seu indie-pop bem-disposto, colorido, e extremamente dançável. A sonoridade do quinteto australiano, claramente entusiasmado pela vinda a Portugal, tem uma parcela que no remete claramente para os Jungle, e faz-nos imaginar a banda que os Bee Gees seriam caso fosse hipsters, sendo que o guarda-fato dos Parcels não será muito distinto do dos manos Gibb. Também a delicadeza dançante dos últimos trabalhos de Daft Punk vem à baila, algo que não será propriamente surpresa, tendo em conta que o duo francês já colaborou com os Parcels, mais especificamente no tema «Overnight». A performance segue uma linha bastante uniforme, sem grandes rasgos ou surpresas, mas sempre bastante agradável de desfrutar por entre os raios de sol que iam espreitando e irrompendo pela zona do palco EDP.

Os Temples foram os senhores a entrar em acção a seguir, autenticamente saídos dos anos 70 como é costume, também no referido palco. A plateia tinha crescido notoriamente, como é usual suceder da tardinha em diante. Os britânicos apresentaram um valoroso resumo da sua discografia, que tem como o produto mais recente “Volcano”, lançado no ano transacto. Temas como «Certainty» ou «Strange or Be Forgotten» são exemplos maiores da capacidade de escrita da banda, sempre com o psicadelismo a pairar sobre as suas composições.

Enquanto no palco Super Bock era homenageado o inesquecível Zé Pedro, que dispensava apresentações, pela mão de familiares, amigos e companheiros de palco, no palco LG homenageava-se, como é seu timbre, a nova música nacional. Desta feita era Filipe Sambado quem tinha tempo de antena, apresentando-se luxuosamente acompanhado em palco. A música de Sambado, que editou álbum homónimo há pouquíssimos meses, ganha novos tons ao vivo, tons que desafortunadamente nem sempre se distinguem nos seus álbuns, que são alvo de uma produção intencionalmente (parece-nos) impura. Porém, isso apenas atribui um ponto de interesse acrescido aos concertos do músico lisboeta criado no Algarve. Destaque para uma interpretação bem tradicional de «Dono da Bola», e igualmente para as segundas vozes de Manuel Lourenço, que como habitualmente se ocupou dos teclados.

Regressámos em passo mais apressado ao palco EDP onde já ressoava o vozeirão de Lee Fields, que deixa sempre marca em quem a escuta. A sua música sai apropriadamente da entranhas mais profundas da alma, não deixando nenhuma sensação por exprimir. Os The Expressions, a banda que ladeia este artista sexagenário, esteve à altura, com direito a secção de metais e tudo. Pensamos muitas vezes em Lee Fields para ocupar o lugar mais proeminente que o malogrado Charles Bradley vinha a conquistar junto dos melómanos e, nem de propósito, o cantor não perdeu a chance de homenagear Bradley e igualmente Sharon Jones. Uma actuação que nos soube a pouco por não ter sido possível assistir na íntegra, tendo em conta os cruzamentos de horários.

O palco secundário do SBSR foi decididamente a nossa praia na Quinta-feira, e foi por lá que permanecemos à espera dos Vaccines. Após uma actuação algo frouxa na primeira edição do SBSR no Parque das Nações (na altura no palco principal), o grupo encabeçado por Justin Young não quis esbanjar nova oportunidade para satisfazer o público português. Os Vaccines foram conquistando tudo e todos com golpes consecutivos de alta qualidade, muitos deles sacados do fresquinho disco “Combat Sports”, com a bola de espelhos em palco a representar desde logo o primeiro single «Nightclub». Outros dignos representantes desse último trabalho foram igualmente «Your Love Is My Favourite Band» e o irresistível «I Can’t Quit», com que encerrou a vibrante performance, além de verdadeiros hinos indie como «All in White» ou «Handsome».

Entrámos posteriormente na Altice Arena, pela primeira vez, onde os cabeças de cartaz The XX estavam em andamento. E se há bandas que têm vastas razões de queixa da malfadada acústica da sala, o som trio formado por Jamie, Romy, Oliver encaixou no palco Super Bock que nem uma luva. A nível visual, o inovador posicionamento dos vários ecrãs permitiu que o concerto fosse impactante nessa âmbito também. Por entre o colorido visual, Oliver aproveitou para dedicar «Friction» à comunidade LGBT, da qual orgulhosamente faz parte, aproveitando a sua posição para efectuar mais uma chamada de atenção para a causa. Jamie xx, por seu turno, foi tomando progressivamente o pulso da actuação, num trajecto em crescendo, acabando no seu próprio «Higher Places» e no toque pessoal que deu ao tema da própria banda «On Hold». E aproveitando o nível elevado da segunda parte do concerto, terminaram com «Angels», deixando Portugal no mesmo estado em que sempre esteve com The XX: love, love, love.

Fotografia por José Eduardo Real



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