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The Poppers @ São Jorge

Talking about My Generation

O Cinema São Jorge acolheu, no passado dia 20 de Fevereiro, o colectivo dos Olivais The Poppers.

O propósito basilar do espectáculo prendeu-se com a pré-apresentação do mais recente “Up With Lust”.

Se da sua estreia em 2006, com “Boys Keep Swinging”, retivemos tudo o que as incisões sónicas e visuais que dominaram as dinâmicas geracionais de um certo dandysmo exibiram outrora, entre finais de 60 a inícios de 70, pela capital inglesa – com o esplendor de um movimento mod que girou em órbita pelo british beat assente no rock e com influências da rythm´n´blues – com “Up With Lust” sentimos, ainda que a preocupação imagética que nutriu o movimento das scooters e lambretas e que, possivelmente, os fez nascer enquanto banda, seja uma constante, tudo o que o venerar rockeiro assente em guitarras sempre nos trouxe e trará à memória. Estão mais despojados, eléctricos, modernos (qb) e incendiaram ânimos exaltantes pela plateia nesta noite.

Se facilmente enquadramos na sua estreia prenúncios revisitados que vão de The Faces a Kinks, The Yardbirds a Jam, etc, no concerto de apresentação do recente disco sentimo-los uma (ou várias) década(s) à frente. Vimo-los mais livres, rugosos e sem perder algum do despeito mas também ironia que lhes conferem um certo carisma. Na(s) década(s) mais à frente sentem-se os The Poppers atentos ao passado, que lhes serve de inspiração de igual modo, mas numa descoberta de si próprios que os fez explodir num primeiro concerto, de apresentação, como se fosse o último.

Viajaram até ao passado da banda e fizeram rodopiar e bater o pé dos presentes com alguns dos temas que os deram a conhecer com o primeiro “Boys Keep Swinging”.

«She´s On My Mind», «Days of Summer» e «Giant Soul» serviam-se no apogeu da vivacidade acelerada de grupo, com a ajuda das harmónica e voz de Pedro Candeias, antigo baterista da banda e apresentado por Raimundo como agora “quinto elemento de Poppers”.

Luís Raimundo (vocalista, guitarrista) salta do palco e passeia com a guitarra pelo espaço incitando e sacudindo alguma da audiência. Lá atrás, no palco, o frémito é sobretudo rebuscado ao último trabalho e posto em bruto, e sem dó, no palco do São Jorge.

A versão de «Psycho Killer», de Talking Heads, fura a new wave em duo (a rítmica é de The Knack – em «My Sharona» – a letra que popularizou e deu a conhecer às massas Byrne e companhia).

O momento que se seguiu fez acreditar no resto que já estava latente desde meio da prestação do colectivo. O estar como se não existisse amanhã, a adrenalina em disparo constante e mais dois da geração de ouro da actual música que por cá se faz – Sean Riley e Tó trips – a ajudarem, divertidamente, o festim. «Drynamilll» deu o mote para o arraso performativo e intenção sónica eléctrica e deliberada.

Acabariam com o hino mod, popularizado na década de 60 por The Who, «My Generation».

Tudo isto foi rock´n´roll.



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