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The Rodeo

"A minha música devia ser ouvida no mundo inteiro e não só no meu país."

Dorothée. Dorothée Hannequin. Estes são os dois primeiros nomes a reter. Depois peço-vos que baralhem um bocado as letras do primeiro nome. Eventualmente vão chegar a The Rodeo. É aí que Dorothée se encontra também. O nome desvenda um pouco daquilo que The Rodeo representa: um fascínio declarado pela música norte-americana.

Quando Dorothée tinha 15 anos decidiu pegar numa guitarra. Aprendeu a tocar sozinha. Porém, durante dois anos foi só o que fez. Embora tocasse numa banda e os seus dedos se fizessem ouvir ao passar pelas cordas da guitarra, a sua voz permanecia escondida porque, segunda a própria, “eu era mesmo tímida. Não sabia que sabia cantar. Depois cantei as minhas primeiras canções e compreendi que não era assim tão complicado”.

Na discografia de The Rodeo podemos encontrar até ao momento três edições. Dois EPs e um longa-duração. O título do segundo EP, “Hotel Utah”, esconde uma história interessante que nos foi contada na primeira pessoa. “Há três anos fiz uma viagem de Las Vegas a Vancouver de carro. Quando estava a parar em São Francisco encontrei um bar chamado Hotel Utah. Este local é famoso pelas suas noites de concertos abertos à participação de qualquer um (open mics). Tinha ouvido que os Pixies tocaram lá por várias vezes. Cantei só uma canção e a assistência ficou doida. Então disse a mim mesma que a minha música devia ser ouvida no mundo inteiro e não só no meu país. Foi por isto que escolhi este nome para o meu segundo EP”.

Se assistiram ao concerto de The Rodeo em Sines ou procuraram pela banda no YouTube, certamente repararam nos covers. “O estilo musical não interessa” – diz Dorothée. É algo que surge quase de forma natural, porque “eu gosto de fazer covers”. Dorothée apresenta-se como sendo alguém com interesses diversos. Bossa nova, gospel ou hardcore (só para citar alguns) são referidos pela própria. Quando a questionámos sobre a forma como esses interesses influenciam a sua música, a sua resposta é curta mas não menos directa: “Eu interesso-me muito por melodias e ritmos. A música tem tanto para oferecer. É importante ter uma mente aberta e, acima de tudo, encontrar um estilo próprio.”.

O primeiro longa-duração foi editado este ano. Chama-se “Music Maelström” e foi produzido por Stuart Sikes, conhecido pelas suas colaborações com nomes como Cat Power ou The Walkmen. Parte do álbum foi gravada no Texas, no estúdio de Sikes, “perdido numa área deserta de Dallas”. A experiência, essa, foi óptima: “ele (Stuart Sikes) conseguiu realmente colocar o seu toque pessoal neste álbum.”. Para além de Sikes, muitos amigos de Dorothée participaram nas gravações do álbum, por isso foi “interessante trabalhar com alguém que não me conheciam de todo”. De seguida pedimos a Dorothée para descrever o álbum: “Maelström é uma palavra norueguesa para remoinho. Para mim, este álbum é uma ode a todos os artistas que me influenciaram”, e acrescenta ainda que “deve ser ouvido do princípio ao fim, como um todo”. Num breve à parte, diga-se que esta afirmação faz todo o sentido.

A estreia de The Rodeo em Portugal já ocorreu há algum tempo, num concerto no Theatro Circo, em Braga. O regresso deu-se no passado mês do Julho, no Festival Músicas do Mundo, em Sines que foi “uma óptima experiência. O público português é realmente receptivo e atento. Para além disso ocorre num local lindo.” (o concerto teve lugar no palco da Avenida Vasco da Gama, junto à praia, e ao final da tarde).

Para terminar, perguntámos a Dorothée se preferia o CD ou o vinil. “Gosto de ambos. Desde os meus 15 anos que compro muitos CDs. Passei tanto tempo a ler letras dos livretes e a ouvir centenas de vezes as mesmas canções. No entanto, hoje tudo é imaterial e acabo por preferir o vinil pelo seu aspecto quente”. Não podia estar mais certa…



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