The Ultimate Architects

“Soma” é o primeiro longa-duração do projecto. Será que valeu a pena esperar?

Depois de uma maqueta e um EP, é finalmente editado o primeiro álbum de originais dos «The Ultimate Architects». Cinco anos depois de se terem formado, “Soma” é o disco que mostra o caminho que a banda sempre procurou e que agora quer seguir. Metade pop/electrónico/comercial à procura do hit radiofónico. Metade experimental e intimista. A espera foi recompensada.

Formados no dobrar do novo milénio, os «The Ultimate Architects» (TUA) são 5 amigos – D.Architect, Luís Fonseca, (F.), Rui Veiga, João Paulo Simões – que partilham os mesmos gostos e que juntos têm lutado pelas sonoridades em que acreditam. Se a primeira maqueta, auto-intitulada, lançada em 2001, deixou no ar um pouco daquilo que a banda poderia valer, o EP “Elevata”, de 2004, foi um claro avanço em termos conceptuais e comercias, pecando um pouco na produção, claramente influenciada pela ansiedade da banda em mostrar serviço.

Depois de cinco anos de estrada e de alguma experiência editorial, a banda regressa com o seu primeiro disco de originais e sem sombra de dúvida o melhor trabalho editado até à data. Esta progressão mostra que muitas vezes é prematuro editar discos sem ter um trabalho anterior bem alicerçado e construído. Os «The Ultimate Architects» encontraram o timing certo e, mais do que isso, conseguiram encontrar uma identidade.

Para não repetir alguns erros do passado,”Soma” contou com a produção de Armando Teixeira aka Balla aka Bulllet, João Megre, M e Luís Van Seixas (da Thisco), uma “armada” de respeito que à partida garantia uma enorme mais valia para o trabalho final e que, feitas as contas, servirão de base ao trabalho da banda que conseguiu editar um excelente álbum de estreia.

”Soma” é um disco conceptual. Num futuro não muito distante, quando os recursos naturais do nosso planeta forem escassos, uma nova ordem mundial vai surgir através da convergência da biologia, informática e tecnologia. O resultado, a Nanotecnologia, vai ser adoptada em todos os parâmetros da produção e da sociedade e que um dia vai dominar o mundo e o homem.

O disco está propositadamente dividido em dois lados. As seis primeiras músicas mostram uma banda mais comercial, mais virada para a pop electrónica, distante mas comparável aos Plaza. Para além do excelente single de apresentação, a radiofriendly “Run”, a primeira parte do disco está repleta de excelentes faixas, com brilhantes pormenores, que tornam a música da banda mais agradável.

Um dos mais interessantes temas do disco, ”How to disinfect a human …”, é um exemplo claro da enorme diversidade de ambientes criados pelos TUA. A música está dividida em duas partes. Uma mais sombria, mais negra e muito pormenorizada. Uma outra parte composta apenas por um refrão, limpo, claro e extremamente pop.

A meio do registo, na fronteira entre o comercial e o experimental, encontramos a voz de Adolfo Luxúria Canibal, em “Nanorealidades”, uma faixa de spoken word que serve de apresentação ao resto do disco. A partir daí, as máquinas dominam o homem e a limpidez das primeiras 6 músicas desaparece por completo, dando lugar a um mundo mais mecanizado, mais sombrio e minimalista, mas nem por isso menos interessante.

Todas as influências que acompanharam a banda desde a sua génese, podem ser encontradas neste. O electro está representado em temas mais pop como “Run”, “Some1” e “Astonishing”, encontramos o experimentalismo ambiental em “Amber” e “Nanorealidades” e o progrock está patente em “King”.

”Soma” é um excelente disco e mostra que o trabalho, dedicação e experiência são fundamentais para produzir uma excelente obra. Este é o primeiro capítulo de uma história que já tem um fio condutor e precisa apenas de ser alimentada. Ficamos à espera do próximo. Não tenham pressa.



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