Trilogia “Os Jogos da Fome” | Suzanne Collins

Trilogia “Os Jogos da Fome” | Suzanne Collins

Matar a fome com uma só caixa

Dizer que a lógica livresca moderna aponta essencialmente ao best-seller, tratando grande parte dos livros como se fossem detergentes ou pastilhas para a loiça, não será certamente nenhum sacrilégio. Porém, dizer que todos os best-sellers são livros menores ou para cabeças com pouco miolo é um erro crasso, que fará passar ao lado de muito bom leitor livros que vendem como pão quente depois de noites de rambóia mas que, em boa verdade, oferecem ao leitor momentos de boa degustação antes do sono merecido (isto para manter viva a metáfora das noitadas seguidas do descanso do guerreiro).

A trilogia “Jogos da Fome”, da autoria de Suzanne Collins, é um exemplo de como um livro que chega embrulhado em papel adolescente com brilhantes e coraçõezinhos – e um best-seller nato – pode tornar-se num verdadeiro festim para um leitor ávido de uma história que fica algures entre uma distopia carregada de negro – fortemente influenciada pelo nipónico “Battle Royale” – e um triângulo amoroso que promete muita dor de cabeça, sobretudo para a rapariga.

Trilogia “Os Jogos da Fome” | Suzanne Collins

A história decorre num mundo pós-apocalíptico, muito tempo depois de uma catástrofe ambiental ter dizimado grande parte da humanidade. No lugar onde antes existia a América do Norte há agora uma nação chamada Panem, dominada por um regime totalitário que, a partir da megalópole – o Capitólio -, governa os seus 12 Distritos com mão de ferro, cada um deles responsável por produzir um bem essencial à vida do Império – e, sobretudo, à sua capital.

Após uma anterior rebelião fracassada contra o Capitólio, e de modo a manter vivo o regime de medo e punição instalado depois disso, todos os anos dois adolescentes, um rapaz e uma rapariga de cada Distrito, são escolhidos por meio de uma lotaria para participar nos Jogos da Fome, onde 24 participantes são forçados a lutar entre si até à morte. O evento é divulgado para todos os Distritos, via TV, servido como um reality show. Apenas um desses jovens poderá sobreviver, o que torna o jogo num reality show que faz da série “Lost”, por exemplo, uma brincadeira de meninos. O vencedor ganha o direito a viver e, como bónus, terá a partir daí uma vida confortável para si e para toda a sua família, compensando isso com o facto de se tornar uma marioneta governamental em jogos futuros.

Trilogia “Os Jogos da Fome” | Suzanne Collins

O primeiro livro, intitulado “Jogos da Fome”, serve como cartão-de-visita à heroína Katniss Everdeen, que se oferece para tomar o lugar da sua irmã nos jogos, juntamente com Peeta, com quem mantém uma amizade à beira de receber as cores do arco-íris. Os jogos terão lugar numa imensa arena, que tanto poderá ser um deserto, uma selva ou um outro cenário idealizado pelos organizadores dos jogos, que pensam em tudo até ao último milímetro.

“Em Chamas”, o segundo tomo, acompanha Katniss e Peeta na arena, e a forma como tentam mudar as regras de um jogo que apenas permite que um deles, na melhor das hipóteses, sobreviva.

“A Revolta”, a conclusão da trilogia, é o relato da imensa batalha entre o Capitólio e os seus distritos, que tem reservada uma conclusão de certa forma inesperada.

Trilogia “Os Jogos da Fome” | Suzanne Collins

Para quem não leu ainda a trilogia – razão pela qual não nos perdemos em pormenores sobre os livros -, a Editorial Presença acaba de lançar uma caixa exclusiva e em edição limitada, que inclui os três volumes e logo a preço de amigo. Uma trilogia aconselhada a adolescentes num elevado estado de maturação e, sobretudo, a adultos com uma boa dose de espírito adolescente, isto dito no melhor dos sentidos.

“Os Jogos da Fome” lêem-se como trilogia sobre um mundo distópico que, a espaços, parece estar demasiado perto do nosso: há ameaças de guerra constantes, governos autoritários, uma forte obsessão com a moda e a imagem e a necessidade de fazer da vida alheia um imenso e, por vezes, cruel espectáculo. Um best-seller por direito e, neste caso, por merecimento.



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