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Twin Shadow @ Musicbox (27.10.2012)

Um Musicbox completamente atafulhado

O palco do Musicbox está completamente atafulhado de instrumentos neste dia do Jameson Urban Routes. Atrás os dos Twin Shadow e depois os dos Sensible Soccers. À frente do palco ainda há muito espaço para ocupar embora se saiba que a lotação está esgotada há muito tempo (o cartaz e o preço dos bilhetes eram extremamente convidativos, convenhamos).

Os Sensible Soccers são os primeiros a subir ao palco. Emanuel Botelho, Filipe Azevedo, Hugo Alfredo Gomes e Manuel Justo dão corpo ao quarteto oriundo de Fornelo, perto de Vila do Conde. As canções dos Sensible Soccers vivem de uma atmosfera própria que é congeminada ao longo do concerto, numa mutação constante de canção para canção. Com apenas dois EP’s editados, é fácil pensar que o conjunto ainda não tem muito para oferecer, mas na realidade não é isso que se passa. Há post-rock em versão electrónica mas as guitarras também lá estão e há também canções para “bailar à moda antiga”. Para continuar a seguir com atenção.

A entrada em palco dos Twin Shadow é feita com estilo e ao som da pulsante «Golden Light», canção que abre o último “Confess”, um daqueles álbuns que primeiro estranha-se e depois entranha-se. É que “Confess” é muito diferente de “Forget” e isso foi evidente ao longo do concerto. Onde um é mais cru, o outro é mais refinado. Onde um tem mais músculo, o outro é mais dançável. A viagem continua ao som de “Confess”, com «You Call On Me» e «Five Seconds», esta última com direito a coro – “Five seconds in your heart / Straight to your heart / I can’t get to your heart” – por um Musicbox rendido. Entre as canções, Lewis, bebia de uma garrafa de vinho branco que por várias vezes ofereceu ao público.

A primeira investida em “Forget” surge com «When We’re Dancing» para de seguida se regressar de imediato a “Confess” para mais um excelente momento com «Run My Heart» e a projecção em pano de fundo de imagens a evocarem “The Night of the Silver Sun”, o livro que George Lewis Jr. escreveu e sobre o qual os vídeos de «Five Seconds» e «Patient» se baseiam. Neste momento é óbvio que as canções de “Confess” funcionam mesmo bem ao vivo.

“I don’t wanna believe or be in love / I don’t wanna be, believin’ in love” é o que se escuta e canta de seguida. É a «Slow» e causa arrepios. A entrega é total de parte a parte. É mais um daqueles casos de amor que se vive intensamente. Na cara de George Lewis Jr. há um sorriso. Simples e honesto. Daqueles que transmitem não só prazer mas também uma confiança inabalável. E esse sorriso mantém-se enquanto se lança a «Patient».

Seguem-se «At My Heels», «Castles in the Snow» e «Forget» onde a guitarra é levada ao limite. Foi a mais longa investida por “Forget” e foi simplesmente arrebatadora. Pelo meio há elogios a Lisboa e a promessa de passar a pronunciar o nome da cidade em português mesmo com o risco de lhe chamarem “pretentious prick” em Nova Iorque. Antes da saída de palco há ainda tempo para «Be Mine Tonight».

O encore traz George Lewis Jr. a solo para o palco para tocar «The One», numa versão despida, apenas com a guitarra. Neste momento quase que se alcança um silêncio absoluto na sala. Depois, «Yellow Baloon» é tocada a pedido e o final perfeito chega na forma da «Tyrant Destroyed». Enquanto saímos do Musicbox e nos misturamos na multidão que está por ali no Cais do Sodré, na nossa cabeça ainda ecoam os últimos versos que ali foram cantados há apenas alguns minutos… “This was love / And I was such a tyrant destroyer / As you sat sinking in my head / Love, and I was such a tyrant destroyer / As you sat sinking in my head”…

Fotografia por Graziela Costa do concerto de 1 de Setembro de 2011 no Clube Ferroviário de Lisboa



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