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Washed Out @ Lux

Um concerto que poderia ter ido um pouco mais além.

Mais uma noite de chuva, mais um concerto na sala à beira do Tejo, no passado dia 9 de Novembro. Foi com este pensamento na mente que se chegou ao Cais da Pedra. Os ponteiros do relógio marcavam 22h e uma curta espera à porta tornou-se inevitável. No entanto, enquanto esperava para entrar no Lux, outros pensamentos me passaram pela cabeça. Um em particular ficou na memória… A noite estava chuvosa e estava ali para ver um concerto de um projecto cuja música nos leva, na nossa mente, para um final de tarde de Verão.

Quando se desceu para a sala onde os concertos têm lugar habitualmente, eram já 22h50. Esta altura é boa para se observar com calma o ambiente que nos rodeia. É uma altura em que se tenta perceber um pouco daquilo que se vai passar. Tenta-se perceber se vai estar muito gente – era óbvio que sim. Tenta-se perceber como vai ser a disposição da banda em palco e  que instrumentos serão usados – o Mac salta de imediato à vista, por entre vários teclados, sintetizadores, uma bateria e um baixo. A entrada de Ernest Greene em palco havia ainda de revelar mais um instrumento – acho que é uma designação válida – um iPad, utilizado ao longo de todo o concerto.

Pouco passa das 23h quando os Washed Out entram em palco. São quatro os elementos que acompanham Ernest Greene que, como seria de esperar, é o último a subir os degraus da escada que dá acesso ao palco. A boa disposição de Greene é evidente e desde o início do concerto que não se coíbe de puxar pelo público.

O concerto arranca ao som de «Hold Out», do EP de 2010, “Life of Leisure”. Uma meia surpresa talvez, não só para a mim mas como para muitos dos presentes. “Within and Without” tem dado cartas, pelo que seria de esperar que fosse também o ponto de entrada. Segue-se «Echoes», este sim de “Within and Without”.

É claro que entre “Life of Leisure” e “Within and Without” existem muitas diferenças. Se no EP o som parece mais sujo, no álbum sucede exactamente o oposto, com uma produção mais limpa e cuidada, muito por culpa da presença de Ben Allen, um nome ligado à produção de álbuns como “Merriweather Post Pavillion” e “Halcyon Digest”. Esta dicotomia acaba por tornar as opiniões dos fãs relativamente aos dois trabalhos variadas, com uns a preferirem a “pureza” do EP, à “perfeição” do álbum. As aspas na frase anterior pretendem mesmo sublinhar a subjectividade da ideia. No entanto, na prática, apercebemo-nos que “Life of Leisure” e “Within and Without” se encontram algures a meio caminho. As diferenças que em álbum são por demais evidentes, ao vivo tornam-se menos óbvias. E é com base nesta premissa que Greene acaba por oferecer um alinhamento em que as passagens pelas duas edições são igualmente repartidas.

Os corpos agitam-se à medida que os temas vão desfilando. «You and I» é o terceiro tema e na nossa cabeça tenta-se imaginar a voz de Caroline Polacheck, dos Chairlift, que tão bem complementa a canção de “Within and Without”. Num alinhamento, no mínimo eclético, há tempo para um tema novo, segundo Greene, ainda sem título. É notório que é um tema que ainda se encontra em fase de desenvolvimento, em busca da sua forma final, porém salta desde logo ao ouvido um ritmo mais elevado do que aquele que se pode sentir no longa duração de estreia. Mas o ideal é esperar para ouvir o resultado final daqui a algum tempo, e não tirar conclusões precipitadas.

O já longínquo “High Times” não é esquecido, quando se escutam os primeiros sons de «Belong». É claro que Greene tem orgulho no que fez no passado e que gosta de o mostrar. Fá-lo realmente com prazer, porém algum desse entusiasmo dilui-se um pouco ao passar para o público. Sente-se uma alternância entre momentos em que o entusiasmo está realmente a subir mas quando podia passar para um outro nível, há algo que o impede. O concerto tem tudo para descolar em definitivo mas nunca o consegue.

Até à saída para o encore há tempo para escutar – e deixar o corpo movimentar-se – «New Theory», «Soft», «Fell It All Around» (muito celebrada e aplaudida) e «You’ll See It». Segue-se uma breve saída para o regresso com o encore. Ouve-se falar em «Amor Fati» entre o público mas não é isso que Ernest Greene tem para nos oferecer… Não são poucos os covers que foram feitos da «Wicked Games», de Chris Isaak, e convenhamos que o que os Washed Out nos ofereceram no encore foi apenas mais um. Simpático e eficaz, mas sem acrescentar grande valor, quando comparado com o original. Para fechar a curta prestação de cerca de 50 minutos, ficou o belo «Eyes Be Closed».

Foi um bom concerto, é certo, mas à saída não se conseguia deixar de sentir um certo amargo de boca por um concerto que poderia ter ido um pouco mais além.



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