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You Can’t Win, Charlie Brown

Cabaret Maxime, 23 de Janeiro de 2010.

Não consigo precisar com exactidão que horas eram quando os You Can’t Win, Charlie Brown entraram em palco. Já passava um bocado da hora marcada, as 23h. Mas o pessoal presente não estava muito incomodado com isso. Entretanto Maxime, ali em plena Praça da Alegria, junto de uma das mais nobres artérias da cidade, ia ficando bem composto. De tal forma que os lugares sentados começavam a escassear. A alternativa? Ficar de pé. Entre o público podia-se constatar facilmente a presença de muitos amigos mas também de muitos curiosos (chamemos-lhes assim), grupo no qual me inseria.

No palco todos estavam sentados, e assim permaneceram durante todo o concerto. A bateria, um pouco mais atrás era o elemento que por vezes escapava ao meu campo de visão, em virtude do local em que me encontrava. Felizmente o ‘problema’ não passou do campo visual. No campo sonoro, nada a apontar. Na primeira linha  podiam ver-se quatro elementos, com violino violoncelo, guitarra acústica, guitarra eléctrica, baixo e alguns teclados.

A banda lisboeta fez questão de frisar que este era o primeiro concerto a sério. É possível que logo de inicio se sentisse pela sala aquele nervoso miudinho que, no entanto, rapidamente desapareceu ou foi muito bem disfarçado pelo menos. O único aspecto que os denunciava como uma banda ainda com pouca rodagem foi o número reduzido de temas que tinham para apresentar. Nada que tenha incomodado os que ali se deslocaram para os ver. O tempo tratará de alterar isso rapidamente. Acreditem.

Os You Can’t Win, Charlie Brown têm vários aspectos que funcionam a seu favor. Pode-se começar pelo seu vocalista Afonso Cabral, e em especial pela sua voz. Não que seja uma voz que nos encha as medidas. Não, nada disso. É uma voz que simplesmente soa diferente das restantes, com um timbre bem distinto em relação ao que vamos ouvindo por aí, tornando a banda mais facilmente identificável.

A introdução do violino e do violoncelo nas composições da banda também acaba por se revelar uma mais-valia. Por vezes o som produzido pelas cordas do violino ou violoncelo quase que parece querer passar despercebido, mas uma audição mais atenta acaba por revelá-los como uma parte importante de um todo. Contribuindo para o equilíbrio e harmonia  das músicas.

Outro factor que funcionou bastante bem a favor da banda, foi estes terem levado bolo(!) que foi oferecido pela assistência. Confesso que não comi porque achei que não combinava com a imperial que tinha à minha frente.

De entre as poucas composições que os You Can’t Win, Charlie Brown têm, uma salta rapidamente à vista, passe a expressão. Sad Song. É o cartão de apresentação da banda (e é um belo cartão). É também o seu tema mais maduro. Talvez por ser um dos que tem mais tempo de existência, mas também não será alheio o facto der ser um dos temas que apresentam no Termómetro Unplugged. Já quase a fechar uma interessante leitura, simples, mas não menos interessante por isso, de My Girls, dos grandes Animal Colective.

Os You Can’t Win, Charlie Brown estão agora a dar os primeiros passos, mas a caminhada tem tudo para ser longa e segura.



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