Zen

Mais de dois anos depois do primeiro álbum de originais, “Rules, Jewels, Fools” marca o regresso da banda. Será que valeu a pena esperar?

Parece que foi ontem, mas já passaram mais de dois anos da estreia dos Zen, através do muito aclamado “The privilege of making the wrong choice”. Dois anos onde a música portuguesa começou finalmente a dar os primeiros passos, rompendo barreiras e limites criativos, onde dezenas de bandas surgiram nos mais diferentes géneros, mostrando toda a qualidade adormecida dos músicos nacionais.

Miguel Barros (baixo), André Hollanda (bateria e voz), João Fino (voz) e Deus Loura (guitarra e voz) depois de “incendiarem” dezenas de palcos um pouco por todo o país com actuações nos mais variados festivais, estiveram em “repouso” durante muito tempo e regressam finalmente este ano através de “Rules, Jewels, Fools”, mais uma edição conjunta entre o jornal Blitz e a MetroDiscos que, depois da distribuição pelas bancas e papelarias, encontra-se finalmente nos escaparates tradicionais.

Quem procura algo de realmente novo neste disco, vai ficar desiludido. O trabalho dos Zen mantém-se fiel à poderosa secção rítmica e aos fortes riffs de guitarra, criando um som que deverá ser aproveitado ao vivo onde os Zen estão no seu habitat natural e onde são realmente muito fortes e eficazes. Dos doze temas que compõem este novo álbum, destacamos desde logo a faixa de abertura que é sem dúvida um perfeito cartão de visita à sonoridade dos Zen, com ritmos fortes e rápidos, uma guitarra que predomina e uma voz que explode em diferentes tipos de modulações.

O resto do registo resume-se à mesma fórmula que há dois anos era uma lufada de ar fresco para a música portuguesa mas agora pode ingratamente ser colocado de lado devido ao elevado número de novos projectos que têm surgido. No meio do deserto criativo de “Rules, Jewels, Fools” ainda conseguimos encontrar alguns oásis de inspiração como é o caso do tema que dá nome ao disco, que consegue aliar a mensagem à melodia, explodindo de uma forma apoteótica para criar um dos melhores momentos deste álbum.

“Rules, Jewels, Fools” é um álbum com uma elevada carga política de intervenção onde podemos ouvir alguns gritos de insatisfação com o estado das coisas, sendo os E.U.A (como já é hábito) os principais visados.

Sem dúvida que os Zen conseguiram crescer e sente-se neste álbum a maturidade que o palco e os dois anos de jejum discográfico forneceram à banda. Não é um grande álbum, mas não deve ser ignorado, prometendo ser explosivo ao vivo, onde os Zen estão mais à vontade e têm a seu favor uma grande empatia com o público.



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