Imagem_Our bodies are not ready-mades, 2019 © Sofia Marques Ferreira

A complexidade e ambiguidade do corpo

Investigação da artista portuguesa Sofia Marques Ferreira durante residência artística em Berlim.

A artista portuguesa Sofia Marques Ferreira vai participar, durante três meses, num programa de estudos internacional, em Berlim, onde vai investigar “a complexidade e a ambiguidade da experiência do corpo no quotidiano”.

Interessada na relação entre o espaço e o tempo das imagens, a artista portuguesa, que colabora com o coletivo berlinense “Blaenk Minds”, vai utilizar a instalação e vídeo para levar a cabo o projeto “Sideways”.

A residência artística de três meses insere-se no programa de estudos internacional “ROAR – Radical Journeys in Body, dance and performance”, nas instalações do Bethanien Kunst Quartier, um programa de “excelência de arte contemporânea”, sublinhou à agência Lusa Sofia Marques Ferreira.

“É um programa internacional com vários artistas convidados, mentores, que trabalham em Berlim e que têm uma abordagem muito particular às artes visuais e ao movimento. Trabalham habitualmente através de uma abordagem do coletivo. Há uma audição, uma improvisação, uma entrevista, com duas fases de seleção. É bastante difícil ser escolhido”, detalhou.

 

São abordadas temáticas que consideram a filosofia, os estudos de género, as teorias de perceção, a performance, entre outros.

“Este programa aborda e utiliza linguagens não tão lineares, menos rígidas e fomenta o cruzamento de várias disciplinas, não defendendo uma linguagem especifica, mas sim o que resulta de um trabalho em coletivo”, explicou a também fundadora e diretora artística de Solea Films, acrescentando que este é um projeto que faz sentido neste momento da carreira.

“Surge depois de ter feito vários projetos, a nível nacional, com música ao vivo, com bailarinos, imagem em movimento, instalação. É o cruzamento de várias interações para a criação de objetos duradouros, isto é, de peças que se vão reconfigurando ao longo do tempo, que não são fechadas em si, que podem alterar-se e ter várias leituras, de acordo com o número de pessoas que o visitam. Este programa fomenta este tipo de abordagem e é único”, frisou.

Tendo por base os materiais de arquivo de Steve Paxton (bailarino e coreógrafo) e Agnès Varda (realizadora e fotógrafa), Sofia Marques Ferreira vai questionar os mecanismos políticos e sociais associados à aparente ausência do corpo na narrativa, criando “imagens-objetos de caráter duracional, que refletem sobre a interferência e propõem interpretações não-lineares de escala e visão.”

A artista portuguesa já fez várias residências artísticas em Berlim e com o coletivo “Blaenk Minds” já apresentou em vários contextos, desde galerias, a clubes.

“Berlim é uma cidade muito recetiva, e é como se fosse uma agregação de tudo o que é possível e viável em termos de som e imagem”, confessou.

Sofia Marques Ferreira nasceu em Lisboa, terminou o curso de fotografia no Ar.Co e foi bolseira na Faculty of Media, Arts and Design, University of Westminster em Londres. A sua prática centra-se na abordagem transmedia e inclui filme, performance e instalação na investigação sobre a dramaturgia do corpo como um espaço de resistência.

Vai estar em residência artística em Berlim de 9 de setembro a 29 de novembro deste ano. Durante esse período, vai trabalhar no desenvolvimento do projeto “Sideways” que será apresentado no programa de residências artísticas “Thirdbase”, em maio de 2020, em Lisboa.



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