Eflúvio Magnético

2ª parte da exposição de João Maria Gusmão e Pedro Paiva na ZDB.

A Galeria Zé dos Bois, no Bairro Alto, volta a receber a dupla de artistas João Maria Gusmão e Pedro Paiva para apresentar a segunda parte de um projecto que existe também no papel. Está patente até 30 de Abril de Quarta a Sábado entre as 19 e as 23 horas e tem o preço simbólico de um euro.

A colaboração teve início no antigo espaço Tercenas da ZdB. Mais tarde, “Eflúvio Magnético” ocupa o espaço da galeria da Rua da Barroca e as exposições têm-se dado com frequência, tanto na Galeria Graça Brandão, como no Museu do Chiado, onde apresentaram uma grande exposição em Março do ano passado.

Esta segunda parte de “Eflúvio Magnético” ocupa a galeria com novas fotografias, filmes e instalações, tendo a sua inauguração sido escolhida para o lançamento de uma publicação de carácter artístico e filosófico dirigida pelos artistas com o mesmo título.

A exposição é apresentada da seguinte forma: “Victor Hugo, no livro O Homem que Ri, descreve um estranho episódio de tempestade no mar em que o oceano é assaltado por súbitas irrupções de criatividade fenomenológica. A essa ocorrência Victor Hugo chama de Eflúvio Magnético. Trata-se de um fenómeno meteorológico que, enquanto possibilidade, se manifesta como uma multiplicidade irremediavelmente inscrita para além do conhecimento humano: o próprio título do capítulo da tempestade, As Leis Que Estão Fora do Homem, lança este problema epistemológico. Devemos ainda considerar que esta ficção propõe um limite, uma interdição categórica quando, o mesmo fenómeno coincide com a supressão das personagens que assistem, impotentes, à tempestade. Persiste aqui uma relação inequívoca e fundamental entre a multiplicidade, digamos, totalmente heterogénea (onde a compreensão humana só pode conceber o inconcebível) e o pensamento do Ser enquanto Ser, a ontologia.

Antes de mais, devemos ter a percepção clara de que a ocorrência de um fenómeno por explicar como o Eflúvio, requer um pensamento hipotético. Numa ficção desta ordem verificamos o seguinte: não são as questões de aprovação científica levantadas que necessitam de resposta, mas e sobretudo, o importante é dar resposta (disponibilizar o sujeito) à questão da essência do problemático e passar da interrogação: como pode o Eflúvio existir? Para: quais as implicações da existência de um fenómeno impróprio ao conhecimento quando essa interdição é a essência do enigma?

Prevê-se assim, encontrar a forma pela qual uma proposição científica fictícia venha a constituir um movimento genuíno em direcção ao fundamento de uma certa cientificidade.”



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