“A Dobra do Crioulinho” | Luís Carmelo

“A Dobra do Crioulinho” | Luís Carmelo

Puzzle com peças de mármore

A matéria-prima para a construção da narrativa não era de deitar fora: uma pacata vila alentejana, moldada por um clima de paz, personagens típicos e outros nem por isso, até tudo se ver interrompido por uma série de fenómenos entre o natural e o quase sobrenatural, como cheias, incêndios e até mesmo uma pedra gigante a atravessar os céus.

A Dobra do Crioulinho” (Quidnovi, 2013), o primeiro romance de uma trilogia que quer olhar para o Portugal mais profundo, leva-nos numa viagem até uma vila que é como um túmulo, cercada pelo mármore, com uma biblioteca à espera de livros, uma livraria de respeito para qualquer bibliófilo, uma barragem de ar trágico e personagens propensos a se deixarem tocar pela loucura.

No seu 11º romance, Luís Carmelo apresenta um livro que se lê como um puzzle, e que apenas no final irá revelar o seu intrincado padrão. Porém, o primado dado à forma sobre o conteúdo – ou pelo menos sobre a fluidez da narrativa -, exigindo do leitor uma atenção redobrada para evitar perder-se entre metáforas e estados de alma, poderá fazer com que alguns larguem as peças para se dedicarem ao desenho ou a algo mais imediato.



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