A Place To Bury Strangers @ Cartaxo Sessions (2.11.2013)

A Place To Bury Strangers @ Cartaxo Sessions (2.11.2013)

Guitarras que tocam à velocidade da luz

Inspirando-se no shoegaze, no indie rock clássico e em sons atmosféricos e escuros de todas as matizes, os A Place To Bury Strangers são uma banda de Nova Iorque, compostos actualmente por Oliver Ackermann – guitarra e voz -, Robi Gonzalez na bateria e Dion Lunadon no baixo. Formada a partir das cinzas dos Skywave e partilhando do mesmo sentimento, a banda tem no entanto uma abordagem mais escura, mais pesada e mais experimental. O trio já tocou com bandas como Brian Jonestown Massacre, Black Rebel Motorcycle Club ou Nine Inch Nails, protagonizando uma série de aparições em festivais, incluindo Coachella e Primavera Sound, e tocando recentemente ao lado dos também míticos My Bloody Valentine.

A 2 de Novembro o Centro Cultural do Cartaxo, com a curadoria das “Cartaxo Sessions”, receberia para nosso bel-prazer os emblemáticos A Place To Bury Strangers, rotulados como a banda mais ruidosa de Nova Iorque, rótulo que dizem não entender por considerarem que “ não há nada de mais em se ser barulhento”. Se para alguns o shoegaze é sinónimo de ruído, para nós é um convite à introspecção num mundo sónico, onde o som é o veículo, os músicos os condutores e nós os “penduras”. Entrámos assim numa atmosfera de quase ritual cujos intervenientes tiveram a oportunidade de desfrutar “às cegas” de uma comunhão quase perfeita do cenário gélido e nubloso em que a sala mergulhou. Estávamos assim convidados a entrar naquela que seria uma viagem alucinante de sentidos e sentimentos, sendo que nos seria dada a hipótese de fechar literalmente os olhos e perfurar um universo de caos organizado.

Começaram desta feita com o tema «Dead beta» do álbum “Exploding Head” (2009) e, ainda que com pouca iluminação, conseguiam-se vislumbrar as suas figuras encandeadas por strobes frenéticos e uma enorme mancha de fumo, que cobria todo o espaço. Fomos presenteados com beats insolentes 4 por 4 que faziam a cama para linhas de baixo pulsantes e uma guitarra acutilante e intransigente; elementos tangíveis daquele que foi certamente um dos concertos mais noise em território nacional. Houve passagens por vários dos seus trabalhos, tais como «Missing You», do EP homónimo (2006) ou «Ego death» do álbum “Exploding Head”, mas seria com o tema «Keep slipping away», single do mesmo álbum, que se assistiria a um dos momentos altos do concerto.

Terminaram com o tema «Ocean» (EP “Never Going Down” (2006) e álbum “APTBS” (2007)), onde a performance toma contornos agressivos em que a guitarra passa a ter um papel arrebatador, tão típico em espectáculos desta génese. De realçar a participação de dois dos elementos dos Bambara, banda antecessora que nos introduziu uma sonoridade similar e nos preparava para a viagem na “Nave Mãe”. Os anos fizeram pouco para diminuir a intensidade selvagem de energia sonora da banda, num concerto considerado por muitos dos amantes deste género musical como um dos melhores do ano e, como alguém nos disse, deixou-nos “os ouvidos deliciosamente ofendidos”.

A primeira parte do concerto esteve a cargo dos 10.000 Russos (PT) e dos Bambara (EUA).

Fotografia por Jorge Pereira.



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