A Rapariga de 14 de Julho

“A Rapariga de 14 de Julho”

Leve como o Verão

Hector apaixona-se de imediato por Truquette quando a vê junto a uma estátua grega no Louvre, museu onde trabalha como segurança. Conhecem-se a 14 de Julho, dia Nacional de França, e é a partir desse momento que Hector faz de tudo para conquistar esta rapariga. Não é tarefa fácil, não que ela seja uma miúda difícil de conquistar, mas todos os acasos e situações algo absurdas separam estes dois até ao reencontro final, que acontece de forma bastante enevoada e completamente sem sentido. Sim, literalmente enevoada… e também sem sentido.

Pelo meio fala-se da crise económica e do aspecto que mais afecta os franceses neste verão de Julho e Agosto – a redução das férias para menos 30 dias.

Esta mistela de comédia romântica e sátira política aborda com algum humor, talvez não tanto quanto desejado, a crise dos nossos tempos dando porém maior importância ao amor e alcance da felicidade a dois, neste estranho verão em que bizarros acasos se sucedem e onde até mesmo os bancos deixam de ter dinheiro.

Truquette, interpretada por Vimala Pons, é carismática e bem bonita, sempre com um  sorriso nos lábios, afirmando uma inocência romântica que roça mesmo a infantilidade. Aliás, o romance entre os dois faz um pouco lembrar os namoriscos da tímida infância e Truquette, parece-se com um desenho animado dos anos 80. Tem olhos grandes e atentos, e veste durante todo o filme o mesmo vestido azul, como se tivesse pulado do ecrã de TV, ganhando vida na grande tela.

Claro que não foi difícil para Hector, interpretado por Grégoire Tachnakian, ficar imediatamente “de quatro” pela rapariga e quase dar a volta a França em busca da la belle fille.

As restantes personagens ocupam-se da comédia propriamente dita presenteando-nos com alguns momentos muito engraçados.

Personagens bizarras e acontecimentos estranhos sempre acompanhados de cores berrantes elevam o tom do filme para um estilo algo burlesco. A fotografia a cargo de Simon Roca está muito bem conseguida, criando propositadamente esse tom de exagero em todo o filme.

“A Rapariga de 14 de Julho” é um filme leve como o verão, pouco pretensioso, revelando no entanto um estilo exagerado com um tom próprio, o que tem graça. Os momentos de comédia não são assim tão frequentes mas os que existem são realmente divertidos.

“A Rapariga de 14 de Julho” é a primeira longa metragem do realizador e guionista francês Antonin Peretjatko depois de sete curtas metragens. Começou em 1998 a sua carreira com uma curta-metragem/documentário La montagne égrenée. Faz parte da geração de jovens cineastas franceses e foi destacado em Abril passado pelos Cahiers du Cinéma tendo-se estreado na última edição do festival de Cannes na secção Quinzaine des Réalisateurs (uma secção independente paralela ao festival).

O próximo filme do realizador de 37 anos vai manter o mesmo tom burlesco, que segundo o próprio, será o seu registo, deixando no entanto a comédia de lado e partindo para um género que ele prefere ainda não definir.

Confesso a minha curiosidade.

Estreia esta quinta-feira, dia 15 de Agosto nas salas de cinema em Portugal.



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