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Battles e Suuns @ Clubbing

Caos na sala Suggia.

Já não ia ao Clubbing há algum tempo, admito, mas as características principais mantêm-se: sessão esgotada, discussões filosóficas sobre o que define uma “bebida de cápsula” e a garantia de que, sejas quem fores, vais lá encontrar pessoal conhecido.

A decisão de colocar os concertos mais high profile na Sala Suggia em vez da tradicional Sala 2, no passado dia 3 de Dezembro (nota para os não-iniciados: a Suggia é mais recatada e tem lugares sentados; a Sala 2 chega mais perto da sala de concerto Rock típica) foi um bocadinho estranha ao início, mas não pareceu incomodar um público entusiástico reunido para a primeira grande banda da noite. Os Suuns entendem o valor não só da repetição mas da insistência; o lugar-comum seria partirmos para o adjectivo “hipnótico”, mas também não é bem por aí, é mais a naturalidade de quem encontrou uma boa ideia e decide explorá-la ao máximo. Este ar matter-of-fact também esteve presente quando o vocalista Shemi Ben declarou “all right, now everybody rush to the stage” com o tom sereno de alguém que ensina o filho a atar os atacadores. O tom metódico e rítmico dos Suuns torna-os bastante acessíveis para fãs de música electrónica (isso para quem ainda tem algum investimento emocional na ideia Clubbing = club music; as minhas edições favoritas de sempre foram Pere Ubu e Sonics, pelo que já não me importo muito com essa semântica), e a verdade é que a sua música tem uma pujância física tremenda, capaz de pôr a dançar uma sala inteira sem possuir um traço que seja de funky.

Por contraste, os Battles decidiram investir na agressividade, focando mais o seu lado caótico e menos o seu lado de carrossel avariado na Euro Disney que, a meu ver, os torna tão especiais. Continuaram a brilhar, no entanto, pela destreza nas passagens que, em papel, não deveriam fazer sentido, mas que quando ouvidas nunca deixam de surpreender agradavelmente. Houve a a eterna música da sanduíche, e houve momentos vocais com o Matias Aguayo presente via skype (ok, não, na verdade era apenas um vídeo, mas não teria sido fixe se fosse?). Battles é música para fazer danças estúpidas enquanto se cozinha ou limpa a casa. No final, um encore agora sim “hipnótico” que, francamente, testou demasiado a minha paciência; fomos refugiar-nos na sala Cibermúsica, dentro da qual Mainslide nos estava a oferecer agradáveis guitarradas. Infelizmente o concerto acabou mal nos tinhamos sentado, e o artista saiu mesmo com alguns gritos para encore (consegui controlar o impulso pueril de lhe dar o meu melhor “play «Freebird»!”).

Com o seu terraço, pinta de diner futurista e boas condições sonoras, o restaurante traz uma certa atmosfera de Lux ao Porto. Para condizer, Daniel Wang começou a noite a passar Disco clássico; algumas passagens menos bem feitas, mas quando a selecção inclui a versão Gaz de «The Good, The Bad & The Ugly», quem sou eu para me queixar?

Reportagem fotográfica por Patrícia Barbosa aqui.



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