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CÓMEME

Matias Aguayo, Diegors, Rebolledo e Gary Pimiento passaram por Portugal e estiveram à conversa com a RDB.

Matias Aguayo, Diegors, Rebolledo e Gary Pimiento são só parte da cabala Cómeme. Em Outubro, cortesia da Soniculture, soltaram por cá um bafinho do que lhes vai nos pratos. E na alma.

Em 2009, “Ay Ay Ay” de Matias Aguayo foi por cá um toma-lá-disto, com temas como “Rollerskate” a rolar sem fim nas mais prestigiadas colunas, dentro e além pista. O mundo sonoro, diz quem gosta, não mais foi o mesmo e, nem à conta da efemeridade da música de dança se pode esquecer o “clic” ateado na percepção sonora dos que lhe aderiram.

Sobre o colectivo Cómeme: alguma gente, boa gente, tudo em comum, nada comuns. São nata para a música que abre apetites. E juntaram-se, os senhores e as senhoras, pelas forças que vão reunindo vindas do sexo, do house, das ruas, da América do Sul, do swing, da amizade, da magia, da noite, do dia, das festas, do techno, do amor, da dança, das viagens, do mundo, dos feelings…

Foi feeling à primeira vista e depois: Bumbumbox!

Cómeme detonou nas ruas com a música de dança às costas. A esse exercício chamaram Bumbumbox. É por aí, na rua, que se fazem amigos, se conhecem novos encadeamentos musicais e se partilham experiências. É aí, na rua, que Cómeme descobre os ensinamentos que depois converte em produções musicais e oferece ao cosmos.

O colectivo, natural da Argentina, Chile, México, Paraguai, Alemanha e Inglaterra, dedica às pistas de dança o mesmo que já testou no próprio corpinho. “Agora é a nossa vez”, dizem eles e bailamos nós.

Não podendo falar com todos, só vieram uns muito quantos, agarrámos o Matias Aguayo e o Gary Pimiento, os cabecilhas gerais da Cómeme, e fomos encostá-los à varanda do Lux, em Lisboa, para perceber que nem todos os “animais” de cabine são ferozes fora dela.

Como surgiu a Cómeme?

Gary Pimiento (GP) – Cómeme nasceu em 2006/2007, fazendo umas festas na rua, que se chamavam Bumbumbox, e que consistiam na conexão de muitos rádios gravadores portáteis, com pilhas. Fazíamos festas em qualquer lugar da cidade – começou em Buenos Aires. Nessa altura não havia muitos lugares para fazer festas porque tinha havido um grande acidente onde morreram duzentas pessoas queimadas e, durante um ano, todos os lugares underground estiveram fechados. Daí fazermos na rua. Depois passámos para outras cidades e fomos conhecendo gente e começando a conectar com músicos de outros países – Chile, Colômbia… Surgiu espontaneamente. O princípio era compartilhar música, depois partimos para a Internet, myspace…

O que une os artistas da Cómeme?

Matias Aguayo (MA) – A amizade, primeiramente. Partiu do Matias (eu) e do Gary, que a fundámos. Já fazíamos festas juntos, compartilhávamos algo e, em contacto com outros amigos, a coisa foi-se expandindo.

GP – A conexão surgiu na rua, entre amigos, de uma forma muito natural.

MA – Fazer música na rua levou-nos a outro público, a abrir-nos, inspirou-nos no processo de fazer música, porque nos demos conta que as ruas requerem outros ritmos e sonoridades, diferentes de uma discoteca, por exemplo.

A vossa música tem (um) estilo?

MA – A música é o resultado de todas as influências e preferências que temos em comum. Então esse é o ponto de partida – o sentimento que está por trás da coisa, e não compreender a música tanto como um género.

GP – E não só nas semelhanças, não só nas coisas que nos unem a todos a nível musical… São também as diferenças que nos interessam. Todos os artistas têm um carácter, não fazem um som igual, cada um tem a sua personalidade e é isso que marca a diferença.

MA – Se queres dançar é na discoteca. Se queres escutar é em casa.

O que faz o público reagir?

MA – Essa é a ideia básica – conexão com o público. Sentir a musica como se a estivesse a dançar. Ou mesmo dançar enquanto estou a tocar, no sentido de ser público também no momento em que estou a tocar. A música desprende-se de um só e é para toda a gente e isso é muito importante – compartir, oferecer e criar um carinho com o público.

GP – Um vai expressar algo e aí gera-se um feeling. Pode ser melhor ou mais, pior ou menos… mas é tudo uma questão de feeling.

MA – Especialmente hoje em dia, em todo o mundo, o público está mais aberto que nunca. As pessoas não sabem muito bem o que querem escutar e então podemos tocar de tudo, ser muito mais livres. A música é tão real, é sobre o que sentes, e como nós gostamos de tocar o que sentimos isso é algo que se comparte e o público entende. Se nos vêem desfrutar da nossa música favorita, com coração, então as pessoas desfrutam também. Pode depender dos países e do povo – se aderem mais ou menos – e transmitir alguns ritmos pode até ser mais fácil para uns que para outros, mas as pessoas estão muito mais receptivas em qualquer lugar.

Como correram as actuações em Portugal?

MA – Desfrutámos muito em ambas as cidades – Lisboa e Porto. O público reagiu muito bem e para todos nós foi uma viagem memorável. Gostámos muito de ter tido a oportunidade para fazer uma Bumbumbox nas ruas do Porto. Veio muita gente e dançaram durante toda a festa!

O que mais vos atrai por cá? (Desculpem o cliché, mas andamos em testes para ver se nos calha uma resposta diferente)

MA – Eu sinto Portugal muito semelhante ao Chile. Também está rodeado de mar, ponta costeira de um continente, as pessoas, o clima… fazem-me lembrar o Chile (- É lá… Saiu novidade!). Por cá temos os amigos que fizemos, a beleza das cidades e – por supuesto – a comida e o vinho (- Esta já conhecíamos). Venho sempre cheio de discos bonitos e vontade de tocar.

GP – Parece-se com o Chile, concordo, mas com uma linda arquitectura (- Obrigadinha). Gente muito amável e locais perfeitos para Bumbumbox.

Vão voltar?

MA – Seguramente. Não foi a primeira vez em Portugal e não será a última. Criámos laços com gente que queremos, e estamos a trocar muitas ideias. Voltamos muito felizes para casa.

É Cómeme – ou acabas comido.



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