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Call of Duty: WWII | Análise

Um tiro em cheio!

Aquilo que sempre me colou ao ecrã, na série Call of Duty, foi a acção frenética e a forma espectacular como os conflitos históricos, e não só, eram retratados por ela no mundo dos videojogos. Durante alguns anos acabei por me desinteressar, as recentes opções por temas mais futuristas e a movimentação ao estilo parkour afastaram-me da jogabilidade, apesar de reconhecer que a série evoluiu bastante nos últimos tempos, sobretudo no modo multijogador. Um desinteresse que não era só meu, já que a comunidade que sempre seguiu Call of Duty começou também ela a procurar outras soluções no mundo dos FPS. Felizmente, com Call of Duty: WWII, a série faz um regresso às suas origens, como nos apercebemos durante a beta, quase dez anos depois da sua última entrada ligada à Segunda Guerra Mundial.

A crueldade daquilo que foi o maior conflito da história da humanidade está brutalmente retratado em Call of Duty: WWII. Se, até há alguns dias atrás, assumia que o melhor retrato daquilo que foi a entrada dos Aliados nas praias da Normandia durante o Dia D pertencia à famosa cena de “O Resgate do Soldado Ryan”, hoje não tenho dúvidas em afirmar que esse título de melhor representação daquele episódio da história pertence a este novo jogo da Activision. Poucos minutos depois de começar o jogo, estamos a entrar pelas praias da Normandia adentro, enquanto vemos soldados do nosso exército a tombarem ao nosso lado. As balas inimigas voam a velocidades estonteantes e toda a cena é de uma violência gráfica, sobretudo quando nos apercebemos da aproximação à realidade que aqui é feita. Este foi o momento da Segunda Guerra Mundial que marcou a viragem no ímpeto do conflito, mas que ainda hoje impressiona pelo sacrifício de milhares de soldados que deram as suas vidas para garantir que a Alemanha nazi não colocava toda a Europa aos seus pés.

Ao contrário do que acontece num qualquer jogo da NetherRealm, em que a violência é usada como pretexto para animar uma cena, aqui a intenção é mesmo deixar os jogadores desconfortáveis no sofá face aos eventos que se desenvolvem no ecrã. Para isso, em grande parte, contribui o detalhe gráfico deste novo Call of Duty: WW2 e algumas cenas bastante explicitas (ou outras que nem tanto, convenhamos) mas que no fundo transmitem bastante bem a mensagem que os produtores pretendiam fazer passar quando escolheram este evento para tema principal do novo lançamento na série. No papel principal jogamos nós, encarnando Daniels que, em conjunto com o seu esquadrão (Zussman, Stiles, College e Aiello, liderados por Pierson e Turner), tentarão chegar ao Rio Reno através de momentos decisivos no longo conflito contra o exército do Eixo. Os laços entre as várias personagens está muito bem retratado e, em alguns momentos, faz lembrar aquilo que foi alcançado pela HBO quando imaginou a minisérie Band of Brothers. A campanha está, do ponto de vista da construção da narrativa, muito bem conseguida e é a focar-se nestas personagens e nas relações entre si, assim como na forma como lidam com o drama da guerra, que está o seu ponto mais forte e aquilo que leva o jogador a completar este modo em três tempos. Esta é uma das melhores campanhas de toda a série e, sem dúvida, a melhor dos últimos tempos. A jogabilidade durante o modo campanha, embora sem chegar ao nível de jogos como Star Wars: Republic Commando, levou uma transformação de forma a que possamos contar, durante as batalhas, com os vários elementos do nosso esquadrão. Por exemplo, se somos feridos durante os combates, a nossa barra de vida não regenera automaticamente e teremos de chamar Zussman para nos atirar um medkit. Outros elementos oferecem mais munições, granadas ou até a capacidade de detectar os inimigos no campo de batalha, adicionando um elemento diferenciador que torna toda a campanha mais interessante do que um simples FPS em que apenas temos que disparar, esperar que a vida recarregue e continuar com a nossa vida. Estas mecânicas obrigam os jogadores a pensar melhor os movimentos, a observar bem as localizações dos inimigos e a avançar apenas quando existir a certeza de que podemos contar com a restante equipa de soldados.

Já o modo multijogador, aquilo que leva a maioria dos jogadores a Call of Duty, continua em grande parte fiel à sua fórmula fluída de consumo rápido, com mecânicas simples de compreender, embora tudo tenha sido ainda mais simplificado desta vez. A maior novidade é o sistema Divisions, no qual o jogador, assim que entra neste modo, pode escolher logo desde início uma de cinco Divisions – cada uma delas com especificidades para cada estilo de jogo (combate mais próximo com a assault rifle ou à distância com uma sniper, por exemplo). A grande novidade consiste no facto de os jogadores, com os bónus que vão desbloqueando, poderem moldar estas classes ao seu gosto. Cada jogador poderá depois seleccionar uma de várias especialidades, definidas como Basic Training, uma arma primária e outra secundária, assim como dois tipos de granadas (letais e tácticas). Uma alternativa simples mas que funciona da melhor forma neste Call of Duty que procura regressar às suas raízes. E é afinal disso mesmo que o modo multijogador mais beneficia e que volta a oferecer aos jogadores a fórmula clássica de Call of Duty, com combates rápidos em close quarters, sem saltos e movimentos tresloucados que retiraram aquilo que eram as idiossincrasias de um jogo desta série. Os mapas também a isso beneficiam, com mais alternativas de movimento que dão azo a mais surpresas quando estamos a jogar. Embora isso também tenha a tendência a favorecer quem ataca e não quem está a defender determinado ponto. A maior novidade a nível de modos de jogo multijogador é, como já tínhamos referido na beta, a introdução do modo War. Um modo de jogo baseado num mapa maior, com vários objectivos e secções diferentes à medida que a partida vai avançando. Este modo é extremamente dinâmico, os três mapas existentes dão uma sensação diferente à jogabilidade clássica de Call of Duty e há intenção para adicionar mais mapas no futuro.

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A outra grande novidade do modo multijogador é o lobby Headquarters, um pouco à semelhança da Tower do primeiro Destiny, e que pretende simular um acampamento dos Aliados depois do Dia D. Supostamente, estes lobbies serão espaço de interacção até cerca de 40 jogadores mas foi algo que não conseguimos testar à data desta análise. Sempre que entrávamos no Headquarters éramos os únicos jogadores por lá e só conseguimos interagir com jogadores que convidámos para o nosso espaço. Certamente esta será uma componente que os desenvolvedores ainda estarão a afinar e que será implementada na totalidade num futuro breve. Já o modo de zombies não deixará ninguém insatisfeito, com a sua tonalidade mais escura e encontros bem mais assustadores. Não será certamente um modo para aqueles jogadores mais nervosos, já que raramente durante as várias ondas de zombies, terão um momento de descanso. Este modo, que cada vez mais é também ele um clássico na série Call of Duty, vem ainda introduzido por um Prólogo com campanha.

Chegou finalmente o Call of Duty que voltará a colocar a série no seu devido lugar e que nos lembra a todos nós porque gostávamos tanto dela. Uma narrativa na campanha principal que não deixará ninguém indiferente, um excelente e já clássico modo de zombies e ainda o modo multijogador que continua igual a ele próprio e que beneficia da inclusão do modo War para apimentar um pouco as coisas. Este era o passo atrás que a série precisava de dar para poder dar outros tantos para a frente, corrigindo todos aqueles erros dos lançamentos mais recentes que descredibilizaram Call of Duty junto da sua comunidade. Se, como eu, abandonaste a série nos últimos anos, vais ficar contente de saber que Call of Duty está de volta com este regresso ao cenário da Segunda Guerra Mundial. Uma ode ao passado glorioso de Call of Duty, naquele que é o melhor lançamento dos últimos anos e um regresso ao topo dos FPS. Um tiro em cheio!



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