Dez Anos é Muito Tempo #2

Dez Anos é Muito Tempo #2

O que aconteceu nesta semana de 9 de Setembro há precisamente dez anos

Lá fora:

– A semana fica inevitavelmente marcada pela morte de Johnny Cash, um choque se tivermos em conta que a lenda do country tinha acabado de receber alta hospitalar. A morte de Cash acontece menos de quatro meses depois da de June Carter, a sua segunda mulher.  As reacções, claro, multiplicaram-se:

“Tinha tanta experiência na sua voz… Era o tal.” (Nick Cave)

“Era um grande, grande homem. Nunca esquecerei a forma como me fez sentir bem-vindo na sua casa.” (Elvis Costello)

“Uma perda tremenda para a música. A sua influência está espalhada por várias gerações compostas por pessoas tão diferentes…”. (Mick Jagger)

Num concerto na California, Jack White (White Stripes, na altura) presta homenagem a Cash recitando a letra de “I Got Stripes”.

– Contra todas as expectativas, “Boy in the Corner” de Dizzee Rascal vence o Mercury Prize 2003. Como referimos na semana passada, as apostas apontavam para “Permission To Land” dos Darkness.

– Os rumores de uma reunião eventual dos Pixies são cada vez mais fortes.

– Os Zwan de Billy Corgan chegam ao fim, apenas dois anos depois de terem iniciado actividade. Para além do Smashing Pumpkin, também Jimmy Chamberlin (ex-Smashing Pumpkins), Matt Sweeney, David Pajo e Paz Lenchantin faziam parte da banda que ainda chegou a gravar um disco que já ninguém se lembra.

– O iTunes anuncia a venda de cerca de 10 milhões de músicas em quatro meses. Steve Jobs refere-o como um “marco histórico para a indústria musical”.

– Depois de se terem juntado para uma actuação na cerimónia dos Grammys, Simon and Garfunkel anunciam uma muito antecipada reunião.

Em Portugal:

– Os Linkin Park apresentam “Meteora” no Pavilhão Atlântico, com primeira parte dos Adema. O concerto estava previsto para 23 de Julho, mas os problemas de saúde de Chester Bennington obrigaram a banda a adiar a digressão europeia.

– São anunciadas as primeiras partes dos concertos de Ben Harper (1 e Novembro, Pavilhão Atlântico) e Evanescence (7 de Outubro, Coliseu de Lisboa) – Jack Johnson no caso do primeiro e Finger Eleven no caso dos segundos.

– Os concertos dos HIM previstos para os dias 8 e 9 de Novembro, em Lisboa e no Porto, são adiados devido a um outro adiamento, o da digressão europeia de Ozzy Osbourne, na qual a banda Ville Valo se insere.

– São anunciados dois concertos de Machine Head para os dias 8 e 9 de Novembro, no Porto (Teatro Sá da Bandeira) e em Lisboa (Voz do Operário). Também é anunciado um concerto dos Ocean Colour Scene para o dia 28 de Outubro, no Paradise Garage, em Lisboa.

Disco da Semana:

The Rapture – “Echoes”

Injustamente alcunhados de Disco Strokes – as similaridades com a banda de Julian Casablancas ficam-se pelos primeiros cinco segundos de “Sister Savior”, os que nos lembram “Take It or Leave It” -, ao segundo álbum os Rapture pilham influências pós-punk (por ordem alfabética: Gang of Four, PiL, The Cure), provocam suor funk e, citando de forma livre Todd Hutlock da Stylus Magazine, de volta e meia dão ordem de soltura a “uma puta de uma cow bell” – aqui, grandes responsabilidades na forma como “House of Jealous Lovers” atingiu o estatuto de clássico. E isto leva-nos a outra afirmação injusta, mas que se popularizou dois anos depois, com a estreia discográfica dos LCD Soundsystem: os Rapture tornaram-se na outra banda da DFA.

Outros álbuns editados:

The Decemberists – “Her Majesty the Decemberists”
Danger Mouse & Jemini – “Guetto Pop Music”
Spiritualized – “Amazing Grace”
Iron Maiden – “Dance of Death”
Pretty Girls Make Graves – “The New Romance”
Iron & Wine – “The Sea & the Rhythm”
My Morning Jacket – “It Still Moves”

Pedro Arnaut é autor do blog “Dez anos é muito tempo”. Consultar artigo #1 (semana de 2 de Setembro).



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