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Diesel U Music

Madrid, 26 de Setembro.

No passado sábado dia 26 de Setembro a RDB esteve presente em Madrid a convite da Diesel para a edição espanhola do Diesel:U:Music; um evento/tour a nível mundial de um conjunto de bandas vencedoras de concurso anual promovido via internet pela marca.

O local escolhido foi o Pabellón Satélite (Casa de Campo) da Telefónica Arena, um armazém de grandes dimensões fora do centro da cidade. Dada a localização fomos conduzidos do hotel por uma frota dos novos Fiats 500 que no entanto, não tiveram o caminho facilitado pela muitas obras que afectam a capital espanhola. À chegada ao local esperava-nos um fotógrafo: “estas fotos são para a Fiat”…o que teve a sua piada tendo em conta os rasgos irónicos momentos antes com duas periodistas espanholas acerca das supostas celebridades presentes na festa.

A promessa de bar aberto até à 1 da manhã (mesmo para quem tivesse comprado bilhete) terá contribuído para uma presença em número respeitável de pessoas pelas 22h, Poj Masta – o DJ que abriu o cartaz já misturava alguns clássicos de Electro e Hip-Hop em mash-up com alguns temas recentes criando um ambiente festivo dentro do possível tendo em conta os muitos metros de pé direito do edifício.

Ezra Furman and the Harpoons foi a primeira banda a tocar, miúdos (lieralmente) americanos focalizados num rock expressivo, melódico com apontamentos de Americana, marcado pelas ganas de quem ainda não acredita que há pouco tocava “nos subúrbios de Nova Iorque”. Ponto alto para a cantiga cujo o refrão não tinha muito em conta FBI e CIA, num apelo “play this song on the rádio!”…provavelmente com resultados duvidosos no certinho airplay dos EUA.

Os catalães Meneo – DJ + Vocalista + Gameboy como controlador – iniciaram então o que seria uma participação entusiástica ao longo de toda a noite. Numa altura em que fica em questão o papel do ruído e distorção num clube (o que falta partir?) esta dupla conseguiu arranjar um compromisso sonoro descomprometido originalidade e saturação, muito pela presença desgovernada do vocalista e a sua consola 8bit entre …ok, ouvi-los toda a noite é capaz de não ser fácil, mas num jogo entre DJ set e live-act, com umas piadas pelo meio conseguiram cativar o público.

Já com o recinto bem composto entraram em cena, mesmo num sentido teatral, os Terror Pigeon Dance Revolt! Um grupo de sete elementos: um no laptop (peça central de todo o conjunto) quatro vocalistas e duas dançarinas/cantoras-em-playback que acompanhavam a coreografia sincronizada. Coadjuvados no meio do público por um conjunto de personagens mascaradas de tubarão, boi, pássaros e de coisas multiformes (?), surgiram em palco de forma efusiva, com marcações ao estilo programa de ginástica da Tv dos anos 80…como um The Richard Simmons Show em ácidos. O êxtase foi tal que o som de palco foi abaixo, algo que motivou protestos por parte da banda acusando a Diesel de apostar pouco no sistema de som: “à saída todos vão receber um par de calças grátis” [facto que não se verificou…a não ser para alguns, mas isso foi à tarde]. TPDR são pop electrónica épica com clamor apontando à comunhão com a audiência – e isso ficou provado quando se juntaram a esta para o grande final, que envolveu um bolo de aniversário

Supostamente devia ter-se seguido a actuação dos Hearts Revolution, no entanto houve uma alteração inesperada de planos e foi Alexis Taylor (vocalista de Hot Chip) que iniciou o seu DJ set. Foi da Motown ao Hip-Hop saltado para o House de teor mais old school – destaque principal para o “Strings of Life” de Rythm is Rythm  tocado bem alto. Alexis tem boas capaciades como DJ, não sendo uma espécie de rentabilização do nome ganho pela banda. O irrequieto vocalista de Meneo apoderou-se entretanto de um microfone e fez de MC em alguns temas, dando a vez inclusivé a alguns dos presentes, o resultado podia ter sido terrível mas houve algum decoro e humor nas participações.

Já pelas três da manhã surgiu a surpresa da noite, um palco que permanecia camuflado foi destapado e revelou uma cabine…mais uma vez Meneo assumiram os comandos e outra vez o som foi abaixo, depois de resolvidos os problemas técnicos surgiram os Digitalism para um set surpresa. No entanto não houve novidade nos temas escolhidos, produções próprias e hits maximal, prejudicados com um esquecimento fatal durante a primeira hora de set; um filtro de delay activado na mesa de mistura afectava todo o som da sala, diluindo a batida e tornando-a difusa. Finalmente deram com o problema e “Zdarlight” soou normal.

Repetindo a receita voltaram os Meneo com “más de lo mismo” repetindo algumas músicas de Gameboy enquanto os Crystal Fighters montavam o seu set. À pergunta “que tipo de som fazem?” atiraram-me um “são uma espécie de Vampire Weekend, mas com menos África”, afirmação que não ficou longe da verdade se estivesse apenas baseada nos elementos de percussão que poderiam remontar a esse continente, mas também à America do Sul. A banda de Navarra conseguiu vencer o desafio da Diesel com a faixa “Xtatic Truth” – entretanto lançada na Kitsuné – e foi com este tema que terminaram uma actuação energética entre o folk e a electrónica.

Finalmente já próximos das seis da manhã actuaram os Hearts Revolution. Foi relativamente estranho ter duas bandas a fecharem o evento, dado que essa tarefa fica normalmente encarregue de um DJ, todavia dadas as características tanto dos Crystal Fighters como dos Hearts Revolution, o público não ficou muito longe de reagir como se numa pista de dança estivesse…quanto mais não fosse pelo volume debitado pelas colunas. A banda americana composta por Lo – a vocalista que brilha no escuro graças à maquilhagem rosa-neon que lhe cobre os olhos ao estilo Blade Runner, Ben – num pequeno oratório da mesma cor, com laptop e controladores e Terry – numa normal bateria, iniciou a sua actuação com a faixa mais conhecida C.Y.O.A. (Choose Your Own Adventure) e não mais baixou a intensidade em sintonia com o seu último single Ultraviolence.

O slogan era Satisfaction Guaranteed e efectivamente foi um evento que cumpriu as expectativas, muita gente presente sem elemento caótico dado o profissionalismo da organização; nota negativa apenas para a ausência de informação acerca dos transportes à saída do local do evento, alguma lentidão no serviço de bar. No entanto, o que interessava era essencialmente a música e talvez não seja descabido pensar na possibilidade de uma edição em Portugal no próximo ano dadas certas lacunas em termos de eventos dedicados a música electrónica fora dos habituais festivais.



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