Double D Force

"Enforce the Funk" apresentado por D-Mars.

Já se encontra disponivel no mercado o albúm de estreia de mais uma “aventura” de D-Mars. Double D Force é o projecto que o músico/produtor/empresário luso-croata fundou com a sua namorada, D_Fine, uma vocalista e teclista com ascendência cabo-verdiana e holandesa a viver em Amesterdão, cidade que se tornou a segunda morada de D-Mars. “Enforce the Funk” foi produzido nos últimos 6 meses entre Lisboa e Amesterdão e vem preencher uma lacuna existente na produção nacional.

Da mesma forma que Paulo Furtado é um dos mais talentosos e multifacetados músicos quando os instrumentos são guitarras, baterias e afins, D-Mars tem mostrado no decorrer dos últimos tempos ser um verdadeiro “camaleão”, vagueando entre o hip-hop, a samplagem e a electrónica. Depois do aclamado “Pyramid Sessions” do seu alter-ego Rocky Marsiano, onde deu uso ao seu repositório de discos antigos, “Enforce the Funk” é a sua primeira abordagem ao universo electro-funk, contando com a excelente participação de D_Fine na voz e teclas.

Este disco marca a estreia do projecto, que já tinha sido apresentado há cerca de um ano na série Loop:Airwaves na Rádio Oxigénio com o tema «B-Boy Love», também incluído neste registo. Embora esteja carregado de marcas estílisticas do electro/funk dos anos 80 , “Enforce the Funk” não é um disco saudosista. Bem pelo contrário. A maior virtude deste registo recaí sobre a capacidade de reformular todas essas influências, adaptando-as à natural evolução dos tempos.

O disco abre com “Enforce the Funk”, a faixa que apresenta o plano de intenções do projecto; “We are the Double D Force, we enforce the funk, so turn the volume up ans let the speakers bump”. Este funk reforçado com electro q.b torna-se rapidamente contagiante. A voz de D_Fine encaixa na perfeição nos pressupostos apresentados e a sua colaboração nos teclados torna-se também vital em grande parte dos temas que compõem o disco.

Embora sendo um registo claramente electro/funk, “Enforce the Funk” consegue ser bastante versátil, aproveitando um leque de sonoridades vasto, não o tornando demasiado monótono. A própria estrutura do disco, intercalando temas mais “pesados” (no sentido em que têm a vertente electro ainda mais reforçada) com outros mais “calmos”, ajuda na audição do disco como um “todo” e não apenas como uma compilação de várias faixas.

Falámos com D-Mars sobre este novo projecto e dos seus planos para o futuro. Fiquem com a entrevista:

RDB: Como surgiu este projecto? Conta-nos tudo …

D-Mars: Há 3 anos e meio eu e a D_Fine conhecemo-nos, e apaixonamo-nos, em Lisboa. Ela é cabo-holandesa e a música sempre fez parte da sua vida, seja pela via da educação de piano clássico que teve como pelo dom com que nasceu, a sua voz. Não demorou muito para que estivéssemos no estúdio a tentar improvisar algo. Da junção de diferentes estilos criativos que partilhamos nasceu o tema «B-Boy Love»: um tema de electro-funk puro e duro. Por essa razão e, claro, pela óbvia semelhança entre os nossos nomes artísticos, demos o nome a este projecto de Double D Force. O resto foi acontecendo aos poucos, até porque ela voltou para Amsterdão. Foi no início deste ano que resolvemos avançar mais a sério para a conclusão de um albúm.

Sendo tu uma das pessoas mais “activas” no que diz respeito ao recurso do “baú” de sons e discos, em que te inspiraste para este projecto?

Desta vez o “baú” serviu mais de fonte de inspiração indirecta do que como um recurso de sons. Este é um albúm praticamente todo ele tocado.

Achas que existia uma lacuna na produção nacional neste género de sonoridades?

Completamente. Existem tentativas mas, sem pretensiosismo, penso que faz sentido, alguém com fortes raízes na cultura do Hip-hop a fazer isto.

O título “Enforce the Funk” é suficientemente esclarecedor para perceber o conteúdo deste álbum, ou por outro lado apenas levanta um pouco do véu?

Para nós o título não podia ser mais esclarecedor em relação ao seu conteúdo. No entanto, é um albúm musicalmente bastante versátil.

O que se encontra por baixo desse “véu”? Achas que é possível (e valerá a pena) tentar catalogar?

Não. Aliás, para nós, uma das mensagens que o álbum poderá transmitir é precisamente que catalogar música pode muitas vezes ser ridículo.

Qual a influência da D_Fine na elaboração deste disco?

Ela, como vocalista, parece ter nascido para um projecto destes. Não foram poucas as pessoas que pensaram que a voz dela foi tirada de um accapella de um tema de electro-funk. Depois o facto de ela perceber de música, em termos teóricos, muito mais que eu, foi uma enorme mais-valia na produção.

Tens passado algum tempo na Holanda. Tens conhecido produtores e músicos interessantes? És capaz de nos fazer um retrato da produção musical holandesa?

Os contactos que tenho estabelecido são mais na área dos DJs.

Amesterdão é uma cidade única: existe um pouco de tudo para todos. As lojas de discos são incríveis! Já passei muitas horas em algumas delas…

Em termos de Hip-Hop ainda não ouvi nada que me chamasse a atenção. Mas a electrónica é, sem dúvida, o prato forte dos holandeses. Até porque existem muitas editoras de qualidade como a Clone ou a Rush Hour.

Concordas que o panorama nacional está um pouco mais “animado” e interessante?

Claro que sim. Temos produtores com futuros promissores como o DJ Ride, por exemplo. Mas também temos o Zentex que já começa a ser um caso sério de afirmação internacional. E não posso deixar de chamar a atenção para a compilação de novos valores do PinkBoy.

Quais são os “planos” para este disco? Estás a preparar apresentações ao vivo?

Ao vivo o projecto deverá assimilar o formato DJ Set, um DJ Set muito personalizado.

Para quando um “regresso” ao hip-hop “puro”? Alguma surpresa na manga?

Este ano o meu projecto-mãe, Micro, faz 10 anos de vida. Por isso, podem esperar um albúm de Micro…

A Loop Recordings tem-se tornado mais eclética no que diz respeito às escolhas editoriais. Essa diversidade é para continuar? O que podemos esperar para o que resta de 2006?

Podem esperar uma continuação nesse sentido. É tudo o que posso adiantar para já… o segredo faz parte do sucesso.

Nunca pensaste na internacionalização dos teus projectos? Já existiram possibilidades de editar no estrangeiro?

Estamos sempre a espreitar esse tipo de oportunidades. Já houve várias oportunidades ao longo dos cinco anos da Loop mas apenas agora sentimos que a nossa missão em Portugal está a ser cumprida. A seguir virá a internacionalização.



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