EDP Cool Jazz 2019 (9, 20, 24 e 27 de Julho)

A cool energy continua

A 16.ª edição do EDP Cool Jazz termina já hoje com o espetáculo de luzes e música eletrónica proporcionado pelos alemães Kraftwerk 3D. E se a afluência de público se mantiver, o hipódromo Manuel Possolo voltará a encher-se.

O arranque dos concertos no palco principal não foi o mais auspicioso devido aos problemas técnicos no som que levaram ao cancelamento do concerto dos portugueses HMB. Comentários no facebook da página oficial do festival comprovam que algumas pessoas ficaram aborrecidas e indignadas com esta situação entre outras, como a falta de um bengaleiro ou de luz nas casas de banho. E de facto, é compreensível este tipo de reações. É compreensível que problemas de cariz energético num evento patrocinado por uma das empresas mais caras de eletricidade da europa gerem algum contrassenso. Para terminar este capítulo de aspetos menos positivos, temos o espaço Cool pick&go subaproveitado, uma vez que ainda caberiam mais opções de street food e com maior variedade. Muitas foram as pessoas que tiveram de esperar cerca de meia hora pelo seu “jantar” antes de assistirem aos concertos. Estas são algumas situações que não se esperam ver repetidas numa próxima edição e que, felizmente, não afetaram os dias de festival que se seguiram. Depois do problema com os HMB entraram os então cabeça de cartaz do dia 9 de Julho – The Roots – que ajudaram a superar a sede de música do público.

O público do dia 10 foi presenteado com a incrível voz de Jessie J que decidiu surpreender com um dueto arrepiante com o cantor português Fernando Daniel. Este, que ganhou a 4.ª edição do programa The Voice Portugal, essencialmente pelos seus dotes vocais em músicas pop como no tema de Adele «Where we where young». Foi uma escolha bastante acertada da cantora britânica e que certamente, deve ter deixado muitos fãs de lágrima no olho pela sua atitude.

Um presente da Jessie J para os fãs Portugueses no EDPCOOLJAZZ: um dueto improvisado com Fernando Daniel! ❤️

Publicado por EDPCOOLJAZZ em Quarta-feira, 10 de julho de 2019

O dia de Jacob Collier e Snarky Puppy foi elogiado pela performance dos artistas e criticado em certos pontos da organização: público sentado. Há determinados artistas cuja atuação de facto, dispensa a existência de cadeiras na plateia. Não creio que seja o caso de Jamie Cullum, que é um artista muito querido do público português e que domina bem a energia de quem o assiste. Surpreende sempre com os seus inúmeros talentos musicais e ainda como entertainer, ou não fosse ele também apresentador de um programa de rádio na BBC radio 2.

Seguiu-se a dona de uma voz única e reconhecida pelos seus graves – Diana Krall – também muito admirada entre os portugueses inclusive pelo Sr. Presidente, que se sentou na primeira fila. O hipódromo encheu-se a uma quarta-feira à noite para um concerto que recria o ambiente de um bar de jazz em Nova Orleães, intimista e quase sem pausas no instrumental. Assim como Jamie Cullum, Diana Krall fez questão de apresentar várias vezes ao longo do concerto os músicos que a acompanhavam. No entanto, é notável que é mais reservada no que diz respeito a entreter o público com alguma conversa. Marcelo Rebelo de Sousa também marcou lugar na primeira fila do concerto do veterano Tom Jones, que levou ao recinto do Edp Cool Jazz um público de uma classe etária mais crescida. Muitos foram aqueles que foram assistir a Tom Jones para recordar os tempos da adolescência com êxitos como «It’s not unusual», «Sex Bomb» ou «Delilah» e que saíram maravilhados com a capacidade vocal deste artista aos 79 anos.

Quem também maravilhou, foi a organização do festival com a iniciativa de criar um único dia de concertos dedicado à solidariedade. No dia 27 o valor arrecadado em bilhetes reverteu a favor da CERCICA – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais – com a ajuda Eduardo Cardinho, Churky e os The Black Mamba. Antes do último concerto da noite subiram ao placo alguns dos responsáveis por esta novidade para oferecer o cheque no valor de 8.117.36€ à Cooperativa. No entanto, uma imagem publicada no facebook do festival apresenta um valor mais elevado, presumindo-se que tenham angariado mais donativos até ao final da noite. Entre os vários temas que foram tocados pelos The Black Mamba não podia ter faltado «Believe», canção que imana esperança e cujo videoclip são imagens do documentário “Koshukuru” da ONGD HELPO. Foi sem dúvida uma noite de muito groove e de “cool energy”.

Apesar dos contras, nada impediu a vontade do público de querer ouvir boa música e assistir a bons concertos. E as críticas recebidas, são tidas pela organização como pontos a melhorar na próxima edição. O EDP COOL JAZZ de 2019 termina hoje com um espetáculo não de jazz, mas de eletrónica, mostrando-se cada vez mais aberto a novos estilos musicais. Ou não fosse o próprio jazz referente a vários estilos e tendo o improviso como sua característica principal.

 



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