Festival Músicas do Mundo | 25 de Julho de 2012

Festival Músicas do Mundo | 25 de Julho de 2012

Reatamento

Quarta-feira marcou o reatamento do Festival Músicas do Mundo (FMM). Um dia leve, para preparar o corpo para os três dias exigentes que se vão seguir, com dois concertos, ambos à borla mas em locais distintos.

A noite começou no interior das muralhas do castelo ao som do Ensemble Notte della Taranta, de Itália, mais precisamente da região da Apúlia que fica mesmo no salto da bota, para apresentar a “pizzica”. E o que é a “pizzica”, poderão vocês perguntar? É interessante colocar estas questões de vez em quando porque a história que está por detrás pode ser interessante, ou no mínimo original. Fiquem então a saber que é uma dança tradicional muito veloz – como foi possível comprovar ao longo do concerto – que era utilizada pelos camponeses para tratar a picada da tarântula ou, em italiano, “taranta”.

Tentem imaginar este cenário. É final de tarde, princípio de noite; estamos numa casa à beira-mar com o Mediterrâneo à nossa frente. Diante de nós está uma mesa com um belo peixe grelhado regado num bom azeite italiano – bom apenas porque o melhor é o nosso – e acompanhado por um bom vinho – bom apenas também. Ali ao lado uma banda toca como se não houvesse amanhã. As sonoridades são variadas. Tanto sentimos elementos folk como também conseguimos sentir um toque rock, sempre com vozes fortes a acompanhar a música e a cantar num dialecto, o “griko”, que tem a sua origem no grego. À frente dos músicos temos as bailarinas que acentuam o ritmo frenético e alucinante que a “pizzica” transmite. Já perto do final, há ainda tempo para um solo de pandeiretas que nos deixa surpreendidos pela força que é extraída de um instrumento tão pequeno. No final saímos dali de barriga cheia.

O final de noite teve lugar no apertado palco do Pontal para escutar Bilan, cabo-verdiano radicado no nosso País, e razão pela qual o som que ele, e a banda que o acompanha, se reveste de características bem mais urbanas, sempre com o jazz como principal fio condutor, embora também seja possível descortinar um toque funk que mete a “cabeça de fora” de vez em quando. Não houve morna nem funaná (e nem se esperava que houvesse) mas foi tudo cantado em crioulo e deu para abanar a anca.

O aquecimento está feito.

Fotografia por Mário Pires.



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