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Frau Baader/Ana Luísa Ribeiro

O que é e não é, o que deixou de ser e agora é

No próximo dia 21 de Novembro, na Galeria Carlos Carvalho Arte Contemporânea em Lisboa, terá lugar a inauguração da exposição “Mais Marginálias e Book of Ours” de Ana Luísa Ribeiro. A artista portuguesa apresenta as suas obras através do conceito da mensagem textual e da imagem; e com ela, traz também Hannelore Baader – o seu alter ego artístico.

Sobre Hannelore Baader (Frau Baader)

Hannelore é alemã e sabe-se que nasceu em meados de 1950; tem duas filhas e, após sofrer uma profunda crise psiquiátrica, deparou-se com a necessidade de viajar e desenvolver actividades criativas. Aconselhada pelo seu médico, começou a desenhar as suas viagens, a pintar e a dar forma aos seus pensamentos. Embora fictícias, e devido à falta de preparação física e psíquica de Hannelore para enfrentar o mundo real, as suas viagens traduzem elementos “reais” – montanhas ou formas rochosas, rios e lagos – descontextualizados e com dimensões não reais, capazes de transcender a realidade inerente aos mesmos.

 

 
FB.1, 2012.

Grafite e óleo s/ tela, 140 x 100 cm.

 

São assim os quadros de Frau Baader, que com o título “Reisen (viagens)” fazem parte da exposição de toda a produção da artista em 2012. Trata-se de um mundo fantástico, descoberto por entre as memórias e recordações de infância de uma mulher alemã, apaixonada pelas paisagens dos pintores flamengos e por temas como “Das Narrenschiff” (Navio dos loucos) e o elemento água. Às suas paixões aliou o facto de através da Internet, uma inovação que as suas filhas fizeram questão de lhe dar a conhecer, conseguir “viajar” e encontrar milhares de fotos que completam a visão e criação das suas paisagens. Os elementos de cidades que descobre à distância de um clique (o cacilheiro de Lisboa ou o Bateaux Mouches de Paris, por exemplo), fazem então parte do processo de transformação de “não lugares” em locais que todos (re)conhecem.

Sobre Ana Luísa Ribeiro e “Mais Marginálias e Book of Ours

Deixando de lado Hannelore Baader e os quadros de Frau Baader, Ana Luísa Ribeiro é de origem portuguesa e nasceu no ano de 1962, em Lisboa. No seu percurso artístico, entre a Alemanha e Portugal, consta a sua presença em diversas exposições individuais e colectivas, bem como a atribuição de prémios, entre eles, o “Prémio Amadeo de Souza-Cardoso” em Pintura.

A obra de Ana Luísa Ribeiro assume-se, no seu todo, como imagens de livros abertos. No entanto, não são livros abertos, são a representação de livros, que abertos durante o processo de leitura, revelam a relação entre mensagem textual e imagem.

B.O. (Abstrakt), 2012
Acrílico e óleo s/ tela
30 x 40 cm

O fascínio pela cultura escrita e o diálogo conjunto de processos de interpretação são inerentes ao trabalho da artista. Este torna o espectador/observador um leitor envolvido no mecanismo visual que detém a lógica da palavra e do signo abstracto, actuando como função lógica e visual na obra. Desta forma, enaltece-se o carácter daquilo que possui dois aspectos radicalmente diferentes, através do significado da palavra, a forma da sua caligrafia e a articulação dos conteúdos apresentados pela imagem e pela palavra.

O corpo do seu trabalho compreende os limites do discurso visual e verbal. Posicionados entre a memória e a imaginação, os livros, enquanto objectos de lazer, transformam-se em espaço de leitura e em diálogos íntimos do leitor com ele próprio. Assim, ao utilizar a representação e a interpretação, a artista estimula e convida o espectador a rever-se no que observa, a participar no que vê, determinando o facto de ele – o espectador – ser autor da obra e parte activa do trabalho desenvolvido. A dimensão autoral que lhe é atribuída é então sinónimo de envolvimento, de enlace, intimidade e partilha presentes no acto de leitura. É este o espaço de observação/contemplação da obra de Ana Luís Ribeiro.



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