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Fujiya & Miyagi @ Musicbox

Como fazer esquecer a exiguidade do espaço, a enchente de público, e a relativa confusão que sempre se cria quando a música convida a dançar.

Usando “Ventriloquizzing” como desculpa, os Fujiya & Miyagi presentearam a série Musicbox Heineken Series e voltaram finalmente aos palcos da capital no passado dia 11 de Novembro. “Ventroquilizing” é o quarto álbum da banda sui generis que nos chega de Brighton, e não de nenhures no Japão como a sonoridade poderia fazer crer. Concerto esgotado, e portas fechadas para quem não se tivesse antecipado na compra de bilhete, a expectativa fazia-se sentir no espaço exíguo do emblemático bar no Cais do Sodré.

Pouco passava da 1:00 quando Fujiya e Miyagi pisaram o palco e silenciaram a multidão à primeira batida, após uma série contínua de aplausos. Abriram as hostes com «Cat got your tongue», a fazer jus à nova sonoridade (ou à recuperação da sonoridade outrora assumida) de “Ventriloquizzing” e foi o que bastou para a dança ser rainha no Musicbox. Com as óbvias visitas ao menino que os mostrou ao mundo, “Transparent Things”, e frequentes escapadelas ao electrizante pop de “Lightbulbs”, o novo álbum da banda britânica foi, de forma expectável, rei e senhor. Não fosse ele o motivo e motor.

O ambiente sonoro permaneceu idílico, contagiante e quase compulsivo, com imagens de vídeo originais e eléctricas em cor e movimento que acompanharam ou incitaram o público à acção. Impossível permanecer quieto com estes meninos, até porque Steve Lewis (Fujiya) e David Best (Miyagi) são dominantes. Ninguém ficou indiferente às distorções de guitarra de Steve ou à presença de David que, de cima da sua humildade, nos presenteia com uma voz que lhe sai sem esforço, quase como se o tivéssemos apanhado a cantar sozinho no duche matinal.

O público, esse, imitava marionetas de som quase como se, à imagem da capa do estreante álbum, fossem puxados por fios invisíveis e controlados por uma força estranha inclusivamente à banda, que tocou num ritmo de gozo próprio e alheio, sendo a interacção mantida ao mínimo. A interacção musical foi suficiente para prender, até porque os fãs eram óbvios, e poucos seriam os que foram só espreitar a banda de “nome japonês”.

Embora o destaque tenha sido “Ventriloquizzing”, onde a banda abandona em parte o pop de “Lightbulbs” e ousa o regresso às origens de “Electro Karaoke in the Negative Style”, o êxtase esteve quase sempre associado às visitas ao passado. Se «Yoyo» mexeu, «Ankle Injuries» levou os corpos ao rubro. Com letras por vezes imperceptíveis, e misturas de som que tornaram difícil, sobretudo no encore, reconhecer a música no meio das músicas, os Fujiya e Miyagi contagiaram e vingaram, e puseram vozes em uníssono a cantar o nome que raramente acertamos em escrever.

Steve e David na ribalta (e Matt e Lee em nada lhes ficaram a dever) fizeram esquecer a exiguidade do espaço, a enchente de público, e a relativa confusão que sempre se cria quando a música convida a dançar.



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