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How I Met Your Series # 1 – “Game of Thrones”

As razões de sucesso de uma das série mais confusas e difíceis de acompanhar

Com apenas duas temporadas, “Game of Thrones” parece já ter conquistado uma legião considerável de fãs, que vai desde os saudosistas do “Senhor dos Anéis” aos que até agora se conformavam com um sitcom de vinte minutos, assim que se sentavam no sofá.

Uma simples sinopse é enganadora e nada esclaredora, mas a melhor maneira de explicar o universo “Game of Thrones” é a seguinte: cinco reis, o trono de Westeros.

Ao contrário de várias séries actuais, é impossível compreender o desenvolvimento de algumas das múltiplas histórias que se passam em paralelo no espaço de 55 minutos, quando não a seguimos atentamente desde o primeiro episódio. No entanto, é também impossível mudarmos de canal.

A tagline de “Os Sopranos da Idade Média” tem razão de ser, e até os mais cépticos já perceberam isso. E a verdade é que o clima é semelhante: a comédia existe, se o nosso humor for negro o suficiente (Tyrion Lannister oferece um pouco do característico humor à “Dr.House”) e o romance existe, mas sabemos sempre que é sol de pouca dura. A intriga, a violência e o ambiente sombrio dominam, como George Martin nos habituou nos livros na qual a série se baseou.

O quelque chose da série não se deve só à capacidade imaginativa de Martin e ao grande poder de concretização da HBO (que se prontificou em desolvolver a língua dos Dothraki para ser usada na série ou a fazer um genérico explicativo do reino de Westeros), mas à necessidade de um substituto.

Qualquer série vende canecas, mas uma de sucesso vende RPGs e jogos de tabuleiro. Não havia este entusiasmo desde “Harry Potter” ou “O Senhor dos Anéis”. Já não falamos de algo limitado a uma cultura geek, já que as intrigas geradas pela obsessão pelo poder superam os elementos fantasiosos. E, mesmo assim, os conteúdos são ilimitados: as diferentes culturas e as numerosas famílias que colidem no mundo de Westeros fazem-nos crer que seria possível criar um spin-off meramente explicativo.

A nossa necessidade absoluta de ter um protagonista é negada, e se fazemos questão de atribuir esse papel a alguma, não é aconselhável depositarmos-lhe muita fé, até porque, spoilers aparte, se ela ainda vive no final da segunda temporada, é um caso especial.

De qualquer forma, sendo Westeros dividido em Sete Reinos (governados por um só Rei), o tempo de antena que tem que ser dado a cada reino, ou ao respectivo pretendente ao trono, torna um episódio de pouco menos de uma hora demasiado curto. Não há espaço para momentos mortos, o que faz o tempo passar demasiado rápido e aumentar a ânsia pelo próximo episódio, para percebermos o que vai realmente acontecer em cada uma das situações.

A família Stark e Lannister divide com Jon Snow e Daenerys, os grandes momentos da série, salientando Eddard Stark, o Lord de Winterfell e o braço direito do Rei antes da sua morte, (personificado por Sean Bean, que já nos habituou a papeis épicos depois de “Senhor dos Anéis”), Tyrion Lannister (Peter Dinklage, cuja interpretação já lhe valeu um Emmy), o comic relief da série, que cresce de importância de episódio a episódio e finalmente Daenerys (a estonteante Emilia Clarke), que, pouco a pouco, carrega sozinha um novo fio condutor em toda a série.

Há um senão, no meio de tanta coisa boa… mas só para os mais susceptíveis. As cenas de violência são bastante explícitas, e temas delicados como o incesto estão presentes sem tabus, tal e qual como Martin nos descreve nos livros e como a HBO nos habituou com as suas restantes séries.

É também por causa dessa fidelidade em todos os pormenores que podemos discutir com aquele amigo que diz “que o livro é sempre melhor”, sem que nos aponte falhas. Isto porque ele próprio sabe que seria impossível uma melhor adaptação.



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