guano apes @ lisbon

Guano Apes @ Coliseu dos Recreios

O regresso da banda à sua "segunda casa".

Os alemães Guano Apes, ressuscitados de uma longa pausa, voltaram aos palcos europeus, e estão desde 2011 a promover o novo álbum “Bel Air”, lançado em Abril desse ano. A vinda a Portugal já estava adiada desde Outubro, tendo finalmente lugar nesta noite de 16 de Fevereiro na mítica sala Coliseu dos Recreios em Lisboa. A ausência da banda dos nossos palcos, depois de nos habituarem a visitas assíduas e sempre muito bem sucedidas, terá suscitado em muitos a curiosidade e ansiedade de os voltar a ver. A banda alemã que já conquistara muitos corações desde o seu primeiro lançamento “Proud like a God”, em 1997, preparava-se para subir aos palcos, e o recinto já estava recheado. Afinal, as repetidas visitas ao nosso país compensaram, e a banda tinha à sua espera um vasto e fiel público, que aguardavam o concerto com entusiasmo.

Os assobios e as palmas denunciavam a ansiedade. Não foi preciso nenhuma banda de abertura para aquecer os ânimos. Os Guano Apes entraram em palco pontuais (22h), começaram com «quietly», música do penúltimo álbum, “Walking on a thin Line” lançado já em 2003, e a alegria estava estampada em cada rosto daquela plateia.

Seguiu-se o single do álbum “Bel Air” promovido nesta tour europeia «Oh What a night». Sandra Nasic, a voz feminina da banda, sempre com uma presença marcante e muito comunicativa, relembrou o último concerto em Lisboa, demonstrando estar feliz por estar de volta. Depois de «You can’t stop me», começou o tema «Open your Eyes», single do primeiro álbum, e o Coliseu ia vindo abaixo. A noite prometia. O entusiasmo era recíproco, o furacão Sandra, sempre enérgica, retribuía elogiando o público. “You rock like hell!”. O guitarrista da banda, Henning, também muito interactivo, referiu-se a Portugal como uma segunda casa, onde sempre que vêm tocam dos concertos mais memoráveis da banda.

«Sunday Lover», «Pretty in Scarlet», e seguiam-se uma série de músicas menos conhecidas para muitos, parte integrante deste último álbum. Sandra sondou o público para saber quem já conhecia o álbum, mesmo assim com muitas respostas positivas.  Não foram as músicas mais recentes que inibiram o público; manteve-se sempre uma relação constante recíproca e confidente, quase comparável a um amor incondicional entre dois namorados que estiveram separados muito tempo.

Henning, sempre com simpatia, contou-nos a história de como surgiu «Tiger», uma música que pouco se assemelha ao som da banda, porque resolveram pôr o baixista Stefan a tocar guitarra, “e foi no que deu”, sorrindo ironicamente. As músicas novas continuavam, entre temas como «Fire in your eyes», «When the ships arrive» e «Fanman». Este concerto foi quase a receita ideal infalível para um bom espectáculo: muita interacção, Sandra sempre incansável, e o público aplaudia e respondia sem inibições.

A banda dizia ser a última música e despediu-se com «This time». Mas a certeza que pairava no ar era que o encore não tardaria, para preencher o vazio repentino que se fez sentir. Os Guano Apes rapidamente voltaram ao palco para responder aos apelos do público sempre entusiasta. O guitarrista mais uma vez não se cansou de tecer largos elogios ao nosso país falando na comida, temperatura, vista: “Portugal has always been very special for us!”. Regressaram com «Plastic Mouth» instrumental, um festival intenso de guitarras e bateria, que anunciou a entrada de Sandra em palco, que pediu um aplauso para os seus grandes músicos. Após «Staring at the sun», do álbum “Bel Air”, finalmente um dos aguardados êxitos da banda, a cover de Alphaville tocada por Guano Apes como só eles sabem, veio pôr o público aos saltos e em coro todos cantaram “Big in Japan”. Quando o entusiasmo estava em alta, os Guano Apes deixaram o palco por breves momentos com a promessa de voltar. Qual não é o nosso espanto quando cada um volta ao palco encarnando personagens alusivas à época carnavalesca, vestidos de super-homem ou de homem-aranha, revelando a diversão e o à-vontade característico de quem realmente se sente em casa. Foi então que entoaram os acordes de «Lords of the Boards», grande hit do primeiro álbum “Proud like a God”, que foi sem dúvida o grande momento da noite.

Foi um concerto recheado de bons momentos, muita energia, muita personalidade, muita interacção, e uma voz furacão característica de Sandra Nasic. Terão faltado temas clássicos como «Rain» ou «Don’t give me names», mas, na grande maioria, os fãs terão saído do Coliseu dos Recreios saciados, depois de mais uma grande noite de concerto de Guano Apes, nesta sua segunda casa.

Fotografia por Rui Soares. Galeria fotográfica aqui.



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