“Guia de Casamento para Serial Killers”, de Asia Mackay
Quando o humor e crime andam de mãos dadas
Guia de Casamento para Serial Killers, de Asia Mackay (Singular, 2025), é um thriller cheio de sarcasmo e humor negro, onde um casal de serial killers pousou as suas ferramentas, tentando viver uma vida familiar normal, o que conduz a uma história regada a problemas de comunicação, frustrações, desilusões e sacrifícios, onde os segredos, atos e omissões podem levar a um efeito dominó, derrubando tudo o que demoraram a construir.
No decorrer do enredo, existem momentos que alternam entre cenas atuais e do passado, o que ajuda a contrastar os tempos de glória e adrenalina ao máximo do casal, com as frustrações e pressões de uma vida familiar quotidiana e sem grandes alaridos.
Eu sempre soube que a nossa vida a dois implicaria derramamento de sangue. Só nunca pensei que fosse o nosso.
Haze é uma mulher cuja sanidade está por um fio, sempre desiludida com a falta de pujança do marido, com a sua resignação a uma vida sem sangue, sem caça. Nem a arte de Haze a consegue estimular ou satisfazer, estando numa fase de estagnação.
Forçada por Fox a tentar mesclar-se e socializar, algo que ela abomina, acaba por fazer amizade com Poppy, mãe de um menino para a idade de Bibi, filha de Haze e Fox.
Haze sente uma necessidade de proteger Poppy e eliminar o mal da vida dela pela raiz, mas como pode fazer isso sem quebrar o acordo com Fox?
Já Fox, embora se esconda sob uma fachada de satisfação matrimonial, também sente que há algo que já não está bem entre eles, e apesar de entender que ambos já não são os mesmos, e, secretamente, ansiar por esses dias passados, permanece comprometido ao acordo de serem pais decentes, sem correrem o risco de serem apanhados, protegendo assim a infância de Bibi, algo que os dois não tiveram.

Guia de Casamento para Serial Killers, tem uma premissa algo curiosa e extremamente divertida. As descrições de um matrimónio em crise, espelham a realidade de muitos casais normais, com os seus altos e baixos, sem ser necessário ser-se um serial killer. As frustrações de uma mulher que se sente presa, desmotivada, extremamente irritada, apesar de amar o marido e a filha; de um homem que teve prioritizar a segurança da filha, deixando para trás os tempos de emoção da caça com o amor da sua vida.
De louvar, o sentido de proteção e amizade que se desenvolveu inesperadamente, contra todas as expetativas, o que vem realçar como às vezes bons amigos estão onde menos se espera.
E um final, meio fora do normal, mas definitivamente, adequado ao tom do enredo, que tornou este livro uma leitura engraçada, com alguns toques emocionais.
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