Inshadow 2013 – Fotografia de Catarina Sanches

A 5ª Edição do InShadow

E a plasticidade performativa de "EDGE"

A 5ª edição do InShadow – Festival Internacional de Vídeo, Performance e Tecnologias decorreu de 28 de Novembro a 8 de Dezembro e a Rua de Baixo marcou presença no dia em que foi exibido EDGE, um espectáculo inclusivo da CiM – Companhia Integrada Multidisciplinar. A exibição aconteceu no dia 7 de Dezembro que foi igualmente o dia da Sessão Especial de Encerramento e de Entrega de Prémios.

Ao chegar ao São Luiz fomos de imediato interpelados pela exposição multidisciplinar ‘Colectivo Cim’, um registo criado nos laboratórios do Projecto FRAGILE sobre o processo criativo do espectáculo EDGE de Ana Rita Barata (direcção artística e coreografia) e Pedro Sena Nunes (co-direcção artística). Um desafio a lançado à plasticidade do desenho artístico e à solidez do registo fotográfico para relatar a história dos momentos que corresponderam ao começo e à progressão das trajectórias que pautam o conceito do espectáculo.

Inshadow 2013 - Fotografia de Catarina Sanches

Uma exposição fascinante que explora os conceitos de equilíbrio e desequilíbrio através do registo do processo de estruturação da dança. Um processo que se conta através de um constante confronto entre as noções de equilíbrio e desequilíbrio entre elementos aparentemente frágeis captados através da arte da fotografia. No carvão ganham forma elementos em queda, saltos e movimentos dramáticos num permanente jogo de instabilidades aparentemente controladas.

Inshadow 2013 - Fotografia de Catarina Sanches

Já no interior do Teatro Municipal assistimos à concretização do conceito do espectáculo e, em palco, os bailarinos corresponderam em totalidade à elevada expectativa que levávamos nas mãos. Comprovámos que, de facto, “Edge tem gestos que nos pensam e corpos que nos mutam.”

Este espectáculo é um jogo entre quatro corpos que simulam algo que em simultâneo os subtrai e os soma em pares. Quatro bailarinos unidos mas cujos laços são constantemente interrompidos por uma espécie de limites imaginários que servem para colocar em causa a questão do próprio sujeito. A arte com a qual a CiM nos brinda é o questionamento do eu enquanto sujeito no espaço e no tempo que se concretiza através de uma plasticidade performativa que fala sobre os momentos que pairam no ar e que correspondem ao fim e ao começo de algo.

Inshadow 2013 - Fotografia de Catarina Sanches

De ressaltar são ainda as soluções cénicas deste espectáculo que tiram partido de uma estética criativa e que unem os contextos destes quatro bailarinos sem que entre eles chegue a existir de facto uma correspondência. São antes contextos que se tocam através de jogos de sons e jactos de luz energética e que da instabilidade nos transportam para o exagero para que regressemos de novo ao desassossego da desorientação.

No final paira no ar uma reconfortante dúvida: o que acontece quando eixo da história não segue um trilho lógico? O que acontece quando temos de ser nós próprios a criar esse caminho já que a história que nos é contada está antes focada nesse processo construtivo de nós mesmos? Abandonámos a sala com isto no pensamento e na memória trazemos agora o registo destes fluxos de descontinuidades que nos desafiam a voltar ao início de tudo.

Após o espectáculo decorreu ainda a Sessão de Premiados do Fiver — Festival Internacional de Videodanza Experimental de la Rioja, a Sessão Especial de Encerramento e a Sessão de Entrega de Prémios. Desta última resultou a lista dos premiados da 5ª edição do InShadow:

  • Melhor Documentário (atribuído por Júlio Martin de Fonseca, Pedro Ramos e Margarida Cardoso): Two Seconds After Laughter, de David Rousseve.
  • Melhor Realizador Português (atribuído pelo Júri Escolas): Luís Fernandes, com A’MAR;
  • Melhor Filme Internacional (atribuído pelo Júri Escolas): SKIZM, de Marcell Andristyák;
  • Prémio Vo’Arte (atribuído pela equipa Vo’Arte): Corpo Maior, de Bárbara Janicas e Marta Moreno;
  • Melhor Filme (votado pelo público): .5, de Ana Margarida Costa, Bruno Duarte, Luís Malaquias e Sara Bernardo.
  • Melhor Coreografia (atribuído pelo Júri Oficial): Cracks, de Alex Pachón;
  • Melhor Interpretação (atribuído pelo Júri Oficial): Sans Attente, de Stathis Doganis e Konstatinos Rizos;
  • Melhor Filme em ex-aequo (atribuído pelo Júri Oficial): Peripheral Vision, de Antti Ahokoivu, e a Scarlet Days, de Sara C. F. Gouveia.

O InShadow chegou ao fim mas no próximo ano há mais e as candidaturas para a participação na 6ª edição abrem já em Janeiro. Esperam-se mais filmes, mais performances, mais exposições e mais instalações neste Festival que é já uma incontornável referência na criação e programação artística contemporâneas.

Até já!

 

Fotografias de Catarina Sanches 



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This